O que mais a Netflix quer?

Agora tem até música.

Luide
Luide
3 de julho de 2019

Sempre que tenho a oportunidade de citar a importância de House Of Cards para a Netflix, eu o faço. Se hoje todo mundo tem sua lista de séries favoritas do serviço de streaming, é porque lá em 2013, a empresa e algumas mentes criativas da indústria (entre elas David Fincher) identificaram que o público estava aberto a esse tipo de novidade, estilos e formas de consumir conteúdo em série (temporadas disponibilizadas todas de uma vez? Uau!). E deu certo, tão certo que isso praticamente mudou a forma de como a Netflix se vende desde então.

E desde então a Netflix não parou de cutucar sua audiência e testar novas formas de apresentar séries, filmes e até mesmo games. Está no seu DNA inovar, não tem como a Netflix, que é a cara dos dos millennials, esperar que outra empresa faça primeiro. É ela quem testa, provoca, e deixa o público decidir se vale ou não a pena seguir adiante. Aliás, o total controle sobre quem assiste, deixa o serviço com uma gigantesca base de dados em mãos. É o tal do algorítimo, que muitos dizem ser o culpado pela piada que se estende por três temporadas chamada Stranger Things (a primeira vez que ela foi contada foi bem divertida, hoje…).

Com isso, é natural que cada vez mais a Netflix seja o local onde criativos queiram criar. Anima, o novo trabalho de Thom YorkePaul Thomas Anderson é um exemplo perfeito disso. Quem lançaria um álbum solo dentro de um serviço de streaming? Não faz muito sentido, mas pense nas possibilidades. E é isso que Anima é no fim das contas: uma tentativa de cantor de 50 anos ainda conseguir fazer algo novo em pleno 2019.

Tudo bem se você não gosta da música. Anima não é apenas sobre isso. Paul Thomas Anderson é um monstro na direção e poxa, o Thom Yorke dança muito bem. O curta de 15 minutos tem três músicas do novo álbum solo e fornece material de sobra para quem gosta de sentar, assistir e teorizar sobre o que acabou de assistir. Aquele tipo de coisa se fazia com Black Mirror antes de Black Mirror se transformar em uma série original Netflix. “Analogia…”.

A Netflix praticamente monopolizou nosso entretenimento doméstico. Por mais que a HBO tenha uma série do calibre de Chernobyl, pra atender a alta demanda de consumo de adultos cada vez mais solitários, somente um streaming que produza conteúdo na mesma velocidade com que nós reclamamos da solidão na redes sociais. Sendo assim, pra não enjoar até mesmo o menos exigente dos assinantes, a Netlfix segue tentando trazer coisas diferentes, mesmo que não sejam lá tão boas. E não precisa ser. Pelo menos abrem-se portas, como foi o caso de House Of Cards.

E sobre Anima: pra quem gosta da típica melancolia… é um prato cheio.

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