O final inesquecível da primeira temporada de True Detective

A história mais antiga da humanidade

Luide
Luide
29 de julho de 2016

Um fenômeno comum na cultura pop é o medo do fim. O medo de sua série terminar, o medo do seu filme não ter uma continuação. A indústria entende que esse medo é um produto que vale dinheiro, e não é por menos que vivemos uma era de reboots, remakes e sequências desnecessárias. Até mesmo séries onde um dos protagonista morreu durante a última temporada estão voltando.

Feliz da série que entende a morte como parte da vida. O ciclo completo. Não por menos que Sopranos e Breaking Bad terão seus finais lembrados pra sempre, e porque não citar LOST, que apesar da controvérsia, soube que era hora de encerrar sua jornada. E em se tratando de final perfeito, que te faz entender toda a obra, voltar lá no início e perceber que tudo estava claro, a primeira temporada de True Detective da uma verdadeira aula.

A jornada de redenção de Rust Cohle é perfeita, obra prima do roteiro de Nic Pizzolatto. O poderoso diálogo entre Cohle e Marty deveria ser tomado como uma lição valiosa pra sua vida. Entender o que significa de fato essa batalha entre a luz e a escuridão tornará as coisas mais claras pra você. O que realmente importa?

True Detective nunca escondeu sua inclinação trágica. Desde o protagonismo de Cohle até mesmo o lugar escolhido para se situar, tudo foi pensado para transmitir ao espectador essa incômoda sensação de melancolia e desilusão. São poucas as séries que sabem usar a fotografia e explorar o máximo de seu terreno para transmitir emoções. Falar sem dizer uma palavra.

E é no estado da Luisiana que a primeira temporada encontra seu lar perfeito. Não é gratuito. A ideia de isolamento que seus vastos pântanos ou planícies inundadas causa é de caso pensando. É como se aquele mundo fosse um universo a parte, onde o real e o fantástico se misturam. Adam Arkapaw, o diretor de fotografia, soube instalar o clima de desesperança em cada frame. Os galhos das árvores retorcidos, conversando com a coroa que Dora Lange recebe ao ser morta. Chifres por onde quer que você olhe.

Tudo sempre intensificado com o discurso fúnebre de Rust Cohle, o homem que perdeu sua luz. Já de início fica claro sua habilidade incomum em tratar casos de homicídios. É justamente por viver em completa escuridão que ele enxerga o que ninguém consegue. Ele sabe a podridão da alma humana. E já em seu primeiro embate com Marty fica evidente o limbo onde o personagem se encontra. Nic Pizzolatto da um show de roteiro.

Pessimismo, indiferença. Tudo é um grande gueto e a vida é um erro, como o próprio define. Cohle se apresenta ao público com poucas palavras. Começa a cirurgia de True Detective em Rust Cohle, onde aos poucos iremos entender qual o tema central dessa série. É claro que fica difícil enxergar, já que no meio disso tudo existe a investigação do assassinato de Dora Lange.

É o miolo da série, o ponto fraco. Mas é algo que deveria existir, já que além de uma obra filosófica de Nic Pizzolatto, True Detective é uma série de tv e precisa do espetáculo. Mas seu final recompensa qualquer esforço de memória para decorar o emaranhado de pistas e suspeitos. No hospital Cohle e Marty estão prontos para encerrar a primeira e inesquecível temporada.

Só existe uma história, sempre existiu uma única história. A luz contra a escuridão. É quando Rust Cohle é resgatado dessa escuridão pela mais poderosa luz do universo. Aquela que um dia foi sua filha, mas cujo seu amor ainda vive dentro dele. Amor que quase foi apagado, extinto. E é durante sua quase morte que ele é lembrado sobre a importância de estar vivo. E que ainda precisa travar uma batalha.

Olhando pela janela, notando o céu noturno, percebe os pequenos pontos de luz lutando contra o breu total. Eles lutam para permanecerem acessos, para serem notadas. E isso é nossa própria noção de existência, que luta incessantemente para manter o brilho acesso, para iluminar quem realmente importa. Lutamos para não sermos engolidos pela escuridão, consumidos pela podridão.

Mesmo quando tudo parece levar para o fim, mesmo com tudo ao seu redor sendo consumido… Mas nós lutamos. É a história mais antiga.

Você está percebendo errado o lance sobre o céu. Antigamente, só existia escuridão. Na minha opinião, a luz está vencendo

E a luz vencerá.
Obrigado True Detective.

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