O Demolidor e uma nova era para Marvel na TV

Série chegou nessa sexta ao catálogo do Netflix

Luide
Luide
10 de abril de 2015
 

Em 2005 quando Nolan trouxe ao mundo sua versão do Batman, começamos a nos perguntar se um tom mais sério em adaptações de quadrinhos era um caminho a ser trilhado. Tentando ao máximo possível situar o Cavaleiro das Trevas no mundo real, Nolan abriu portas e de lá pra cá, muita gente tentou fazer o mesmo. O problema é que quando você se mete a ser sério corre riscos de ser mesmo o galhofa do ano.

Não é novidade pra ninguém que quadrinhos na TV nunca me chamaram atenção. Não é pra mim, não tenho relação sentimental com nenhum personagem, pouco sei sobre eles e sempre senti cheiro de caça níquel. Acontece que mesmo com desconfiança de minha parte, uma produção Marvel e Netflix poderia ser aquela virada de chave, algo que o Nolan fez com Batman em 2005, eles poderiam fazer em 2015 com o Demolidor.

E não deu outra. Demolidor já é de longe a mais consistente adaptação quadrinesca para a tv nos últimos tempos. E apesar de parecer o contrário, os fatores que levam a isso são poucos. Afinal, bastam apenas três episódios dessa primeira temporada para notar um certo cuidado dos produtores, focados em criar uma história e desenvolver personagens.

Enquanto o cinema tem liberdade para o fantástico e soluções rápidas, nas séries a coisa funciona de outro jeito. Em Demolidor, está claro que o roteiro busca te prender aos poucos, indo com calma, mostrando seus personagens sem exagerar nas suas motivações. Matt Murdock que o diga. Apesar do uso de flashbacks para contar sua infância, a série em momento algum se prende ao “sofrimento” do personagem.

Já seu alter ego é um show a parte. Ele soa mais como um porradeiro do que um ninja que escala paredes com facilidade. O uso da força bruta e do terreno são as maiores armas do Demolidor. É possível notar que sua técnica é bem crua e derrotar um inimigo não é uma tarefa fácil em que ele sai limpo e cheiroso.

Faz com que eu me sinta sozinho

Ao simularem um plano sequência no segundo episódio, a série mostra a que veio. O Demolidor apanha, cai, cansa, sente os golpes. Seu “uniforme” simples, sujo e rasgado também é algo importante dentro desse contexto. Afinal, quando um advogado que age como justiceiro teria tempo e paciência para bordar um belo uniforme colorido? E outra, ninguém nunca parou pra pensar que o PRETO é a cor ideal pra quem sai a noite? Apesar da desculpa de que o vermelho disfarça o sangue, ainda espero me deparar com ele trajando a máscara preta.

A série flerta com Universo Marvel dos cinemas (não muito, mas flerta), o que em minha opinião, é a única coisa que não encaixa. Imaginar como seria o mundo pós um acidente extraterrestre é complicado, ainda mais quando o único resultado aparente disso foi a especulação imobiliária. Mas a Marvel tem planos maiores que Matt Murdock e o Demolidor, então é algo a ser aceito.

Se o Batman de Nolan até hoje é lembrado por explorar a questão do herói no mundo real, é possível que o Demolidor possa ser uma influência para novas adaptações para a TV. O jeito é torcer pro bastão não cair.

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