O bom e velho True Detective está de volta

De volta ao lugar seguro de Nic Pizzolatto.

Luide
Luide
18 de janeiro de 2019

Senti o golpe quando a HBO colocou True Detective na gaveta de seus projetos. A segunda temporada não emplacou, desagradou tanto crítica quanto público e o resultado foi o óbvio. Mesmo assim o canal manteve o contrato com Nic Pizzolatto, afinal de contas, ninguém é doido de perder um talento desses e se existe uma empresa que sabe disso muito bem é a própria HBO. Imagina esse cara sai e corre nos braços da Netflix? Nem pensar.

E quatro anos depois o bom e velho True Detective está de volta. E o tempo fez bem para Pizzolatto, que já no episódio de estreia desse terceiro ano busca na primeira temporada o que a série tinha de bom. É um resgate seguro de elementos que conquistaram o público. Estão lá as linhas temporais que se entrelaçam, um protagonista problemático e com traumas, elementos místicos, um assassinato macabro e um fator que poucos se importam: o ambiente em que a história acontece.

Aqui estamos na região dos montes Ozarks, no Arkansas, em uma cidade pequena recheada de pessoas estranhas. Ruas escuras, florestas e um certo clima melancólico. É nesse cenário que duas crianças desaparecem e já no primeiro episódio encontramos novamente a fórmula de Pizzolatto agindo. O que parecia ser uma família comum se mostra um tanto complexa e conturbada. Pais separados e bêbados e a recente visita de um tio que deixa algumas perguntas no ar. É claro o espectador já começa ali a juntar as peças e teorizar a respeito do que diabos pode ter acontecido com as crianças e qual a relação dessa família nisso.

Além disso temos uma estrela conduzindo a série. Mahershala Ali se apresenta em nada menos que três situações distintas da vida de seu personagem. Em 1980 quando as crianças desaparecem, em 1990 em um depoimento e depois já idoso em 2015. Em cada fase o ator deixa pequenas nuances de interpretação, mostrando que o personagem envelheceu e absorveu aquele caso e de algum modo, aquilo acabou moldando sua vida até os dias atuais.

Ecos da primeira temporada são fortes nessa estreia do terceiro ano, mas ainda assim, Nic Pizzolatto parece apontar para algo de fato novo. Não me parece lógico deixar de arriscar daqui pra frente, um primeiro episódio buscando características da temporada que consagrou a série faz todo sentido, já que é preciso tirar o gosto ruim do segundo ano da boca do público (particularmente gosto do segundo ano).

True Detective está de volta e as próximas semanas serão interessantes. É fato que o gênero criminal está vivendo uma saturação nunca antes vista graças as dezenas de séries e documentários (a própria HBO é a casa de várias delas), mas ainda assim estamos diante de uma série que nunca foi só isso. Que o velho Pizzolatto se consagre novamente. Estamos torcendo.

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