Nunca se esqueça

Em tom de despedida, Game Of Thrones convida o espectador a preservar as memórias da série.

Luide
Luide
22 de abril de 2019

Não sei em que momento você começou a assistir Game Of Thrones, mas até hoje lembro do meu primeiro contato com a série: 2012, estreia da segunda temporada, começo a assistir a primeira (ganhei um box de presente e ele ficou de canto até então). Foi um final de semana intenso e dois momentos marcariam pra sempre não só a minha relação com a série, mas também com a televisão: quando Ned Stark é morto e os dragões de Daenerys nascem.

O primeiro momento é um choque de expectativa: no box de DVDs que ganhei era o próprio Senhor de Winterfell que protagonizava a capa. Imponente, sentado no Trono de Ferro e com a Espada de Gelo em mãos. Era o protagonista perfeito. Até que uma espada cortou sua cabeça. Aquilo me fez pular do sofá: como assim? O cara perdeu mesmo a cabeça? Percebi que se tratava de algo maior e complexo, o que se confirmou no último episódio, quando a magia voltou ao mundo com o nascimento dos dragões. O que parecia ser uma história medieval de capa e espada, agora tem elementos místicos e dragões. Dragões!

A capa do BOX da primeira temporada

Não é de espantar que Game Of Thrones se tornou o sucesso que é. A notícia de que 17 milhões de pessoas assistiram a estreia da última temporada e outros 52 milhões baixaram o episódio não espanta ninguém. A série fez por merecer cada um desses espectadores, que em algum momento se pegou com a mão na boca pensando: “o que diabos aconteceu?”. Muita coisa. Muita coisa aconteceu desde que Robert Baratheon chegou em Winterfell e nada mais simbólico que um episódio em tom de despedida acontecer justamente nesse ambiente.

A Knight of the Seven Kingdoms (S08E02) é basicamente isso: memórias de uma série que ao longo de 9 anos embalou o imaginário do fã. Uma série que pegou muita de gente de surpresa, deixou outros enfurecidos, e que em sua reta final se recusa a deixar o espectador indiferente ao que acontece. Você certamente sai desse episódio um pouco frustrado, sentindo falta da tão esperada ação, mas é justamente a partir do momento que se desprende dessa ideia é que as coisas começam a fazer sentido.

As conversas pelos corredores e salões de Winterfell é uma forma de homenagem antes de tudo virar pós. E nós sabemos que isso é inevitável. A Morte caminha rumo ao Sul e todos aqueles que um dia se cruzaram contra os Stark estão de prontidão para defender a última fortaleza entre a luz e a escuridão. Cada conversa e encontro de personagem lembra o espectador, o fã, que nesse momento já começa a se conformar com o inevitável: Game Of Thrones vai acabar. E como Davos, Brienne, Jaime, Tyrion e outros ali, o fã também tem suas memórias da série. Assim como Arya e o Cão relembram seus momentos, você certamente já conversa com seus amigos sobre temporadas passadas. Cada batalha, cada morte, cada virada… agora é preservar essa memória antes do fim.

E aquilo que é lembrado não morre nunca. Para o fã lhe resta preservar esses momentos. É hora de se despedir de Game Of Thrones. É hora de se lembrar pra sempre.

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