“Nós não somos super heróis”

Baixa a bola.

Luide
Luide
22 de janeiro de 2019

As piores escolhas que fiz na vida foram sob o efeito do álcool. As piores. E é graças a ele que levo comigo algumas cicatrizes desse exagero. Em 2009 me acidentei duas vezes de moto. Na primeira queda um dedo quebrado e pra sempre deformado. Na segunda quase perdi a vida ao me chocar com um muro. Isso sem levar em conta as coisas que não deveriam ter sido ditas, a exposição ao ridículo, as brigas e a pior de tudo: magoar e envergonhar aqueles que amamos. Essa é a história de muita gente que aprendeu a desde cedo a normalizar o consumo de álcool e a romantizar o estado de embriaguez.

Não virei um santo. Gosto de cerveja e tomar uma garrafa da minha marca favorita após um dia exaustivo de trabalho proporciona um sentimento de conforto. Mas é aqui que mora o começo de toda desgraça: essa associação de prazer e álcool, de que é simplesmente impossível obter esse tipo de sentimento de outras formas. Desde que minha filha nasceu questiono essa relação conturbada.

Hoje eu vou beber Hoje eu vou ficar locão Hoje eu nao quero voltar Pra minha casa não Pra minha casa não Pra minha casa não Pra minha casa não Hoje eu vou virar O Fábio Assunção” diz o trecho da música “Fábio Assunção“, um potencial hit do verão brasileiro 2019. A música é apenas mais uma que glamoriza o consumo de álcool e drogas. Não que eu tenha virado moralista do dia pra noite e acho que esse tipo de coisa deve ser proibida, nada disso.

O número de mortes violentas no trânsito ou casos de adolescentes com overdose deveriam ser suficientes para sustentar meu argumento que esse tipo de postura está nos destruindo. Mas o fato é que o que poderia ser apenas mais um hit, se tornou uma oportunidade do alvo das piadas adotar uma postura combativa.

Fábio Assunção veio a público dizer que entrou em acordo com a banda La Fúria e todo o dinheiro arrecadado com a música será revertido para instituições que tratam dependentes químicos. Porque é isso que o ator é: um dependente químico. E nosso moralismo que aceita o beberrão posando com foto de whisky no Instagram, não aceita um alcoólatra. E muito menos um dependente de drogas que busca recuperação. Com isso vem a zombaria, a exposição em praça pública, a gracinha no gupo de WhatsApp.

Fábio poderia ter processado meio mundo, gritado pra todo lado. Mas não, ele resolveu ir pro caminho difícil que é a conscientização. Em seus relatos no Instagram, ele foi certeiro na mensagem: “Nós não somos super heróis. Cuide de você, cuide de quem você ama, cuide dos seus amigos nas festas, nas ruas“.

 

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Transcrição do vídeo Oi Gente… eu não pretendia tornar esse assunto público por vários motivos, mas a imprensa resolveu comentar e os meninos foram bem generosos fazendo o video deles explicando nosso acordo sobre a música Fabio Assunção. Antes de qualquer coisa eu preciso falar com as pessoas que passam pelo mesmo problema que eu, cada um está nesse momento em um estágio, mas nossa natureza é a mesma. Eu não endosso, de maneira nenhuma, essa glamourização ou zueira com a nossa dor. Minha preocupação é com você que sente na pele a dificuldade e a complexidade dessa doença. Minha vontade é que você tenha sempre um diálogo aberto e encontre um lugar de afeto com sua família, amigos e com a sociedade brasileira e assim merecer respeito e direito a um tratamento digno. Jamais me passou pela cabeça censurar a arte do autor e seus intérpretes, mesmo quando vi o tamanho e o sucesso q a música alcançou. Somos artistas e torço muito para que vocês conquistem cada vez mais fãs. Conheço também a luta do artista no Brasil e torço para que vocês prosperem. Mas não censurar não significa que não existe aqui uma oportunidade de conscientizar. 15% das pessoas do mundo tem problemas de adicção. É muita gente sofrendo por não conseguir controlar suas compulsões e eu acho importante lembrar a todos que isso não tá escrito na certidão de nascimento. Todo mundo começa do mesmo jeito. Achando que tudo bem. E pode não terminar tudo bem. Foi pensando nisso q eu, minha equipe de comunicação e o corpo jurídico que me atende, decidimos entrar em contato com os meninos e tornar essa história um ato propositivo de ajuda a quem precisa e de conscientização geral. 100% dos valores arrecadados com a música serão doados para as instituições A e B que vamos informar posteriormente como um ato irmanado entre quem sente essa dor e quem tem voz para ampliar a conscientização. Nós não somos super heróis. Cuide de vc, cuide de quem vc ama, cuide dos seus amigos nas festas. Seja responsável pelo todo. Lembrem q eu aqui respeito a zueira, amo a brincadeira, mas quero todo mundo bem, forte, feliz e consciente de seus atos e de sua vida. A luta é essa. Tamo junto. @gabrielbartz @brunomagnatareal

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É isso. Procure se cuidar.

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