The Nightmare, documentário sobre paralisia do sono, é assustador demais. Eu hein

Rodney Ascher dirige um documentário que mais tem cara de filme e da medo, muito medo

Luide
Luide
9 de novembro de 2015

Quando criança, dormir era minha hora menos favorita do dia. Medroso até o limite que essa palavra pode ser aplicada, toda noite era um martírio diferente pra mim, e hoje mais velho vejo que essas experiências realmente foram terríveis, quase traumáticas. Meu medo era exagerado a ponto de eu chorar embaixo das cobertas nos meus 7, 8, 9 anos por aí.

Então assistir The Nightmare (O Pesadelo – Paralisia do Sono) é lembrar de uma época em que dormir realmente era um pesadelo antes, durante e depois. O documentário (disponível no Netflix BR) dirigido Rodney Ascher é assustador por diversos motivos e me fez sentir pela primeira vez após a infância, medo de levantar da cama e ir ao banheiro de madrugada. Sérião.

O documentário fala sobre a paralisia do sono, um distúrbio não muito raro e que talvez por isso faça parte do imaginário popular em várias civilizações, ganhando status sobrenatural em diversas culturas. Há lendas sobre a paralisia do sono que envolve de demônios há extraterrestres, mas o fato é que a ciência até hoje estuda esse fenômeno.

Inicialmente The Nightmare se parece com um documentário qualquer, onde oito entrevistados vão relatando suas experiências com o distúrbio, mas o diretor Rodney Ascher consegue transformar esses relatos em uma séries de contos de terror, já que a montagem intercalando tais relatos com suas devidas dramatizações muita vezes tira de nós a ideia de que o que estamos vendo seja, na verdade, uma série de entrevistas.

Junte isso ao fato de que os oito entrevistados parecem ter uma ligação através da paralisia do sono, criando assim uma espécie de “inimigo comum” que existe em algum universo paralelo onde somos levados durante o estado de paralisa. O documentário (se é que se pode chama-lo assim de fato) não se preocupa em entrevistar especialistas para dar uma visão mais científica da coisa, assim, a ideia de que algo místico ou sobrenatural exista vai sendo fixada em nossa mente.

E quando caímos nessa armadilha é que o terror do filme/documentário entra em ação, afinal, DORMIR é algo que iremos fazer TODOS os dias, e dormir com essa maldita sensação de que algo pode acontecer a qualquer momento é terrível. Esse terror acontece porque quando dormimos não sabemos que estamos dormindo, oras, ou seja, quem garante que não terei as malditas visões? É o medo de sentir medo. É o medo de algo que eu não tenha discernimento se é real ou não acontecer.

The Nightmare é certeiro na caracterização das tais visões que assolam os entrevistados que sofrem com a tal paralisa do sono. É algo que realmente parece plausível, afinal, a sensação de ver um vulto ou uma sombra quando se acorda é comum. Mas quando se da vida e forma a essas visões elas realmente soam terríveis, principalmente o tal homem de chapéu e seus capangas. Os entrevistados estão nitidamente abalados pelas suas experiências, esse temor pelo sono transpira, é difícil ir pra cama e não se imaginar no lugar deles.

CARA COMO ISSO NÃO TE DA MEDO

O fato é que diversas ilustrações e contos ao passar das épocas retratam a experiência da paralisa do sono como descrito pelos entrevistados. A sensação de estar sendo observado enquanto dorme, algo sufocando no peito, sussurros e vozes. Fica difícil durante o documentário não acreditar que exista de fato algo além da nossa percepção. É tipo o Inception dos inferno.

Rodney Ascher já dirigiu outros bons documentários, como divertidíssimo “O Labirinto de Kubrick” que vai a fundo nas teorias envolvendo O Iluminado. Já em The Nigtmare o diretor parece querer nos pregar uma peça: maquiar um filme de terror como se fosse documentário. Realmente vai ser difícil dormir tranquilamente nos próximos dias…

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