A Netflix está criando porcarias para anunciar porcarias

Mas uma porcaria divertida.

Luide
Luide
12 de agosto de 2019

A Netflix sabia que um dia teria que dividir espaço com grandes estúdios e canais convencionais, que aos poucos, iriam aderir aos serviços de streaming. Em algum momento seu catálogo recheado de produções Disney, Fox, Warner e etc se esvaziaria já que essas grandes empresas também teriam sua versão “play“, “plus” ou “+“. É por isso que em 2013 a Netflix começou a investir em conteúdo original, de forma tímida, é claro, mas isso logo se tornaria a principal linha de frente.

Cerca de 6 anos depois, é possível dizer que sim, a Netflix já se sustenta apenas com seus conteúdos exclusivos e está preparada para a ascensão de grandes concorrentes como a Disney+ e HBO Max. E nesse tempo de aprendizado, fez algo que poucos tiveram a iniciativa de fazer: investir em mercados locais, criando e produzindo para pequenos nichos, como séries brasileiras, filmes de Bollywood e animes japoneses. Ganha espaço em outros países e línguas, finca seu conteúdo original e o resto é história. Um lançamento Netflix hoje é um lançamento em mais de 180 países, coisa que ninguém por enquanto é capaz de fazer.

E são tantas produções lançadas diariamente, que até mesmo o mais atento dos assinantes se perde a cada novo login na plataforma. Foi então que a Netflix surgiu com mais uma novidade (não tão nova assim): uma propaganda de seus produtos disfarçada de produto. É o caso de Enter the Anine, documentário com Tania Nolan que se dispõe a descobrir o verdadeiro universo dos animes, como eles são feitos e consumidos pelo público japonês.

Bobagem. Enter The Anime é apenas uma peça de propaganda de uma dessas frentes da Netflix em produzir conteúdo nichado. Todos os animes ali mostrados são originais do serviço de streaming e ao menos que você conheça todos, só irá perceber a pegadinha no fim, quando os créditos deixam claro: “todos os animes mostrados estão disponíveis na Netflix“.

O documentário é péssimo, reforça alguns estereótipos, sai do zero pra lugar nenhum. Mas para quem um dia dedicou boa parte do seu tempo em assistir esse tipo de produção (no caso, eu), acaba caindo na cilada.

Foi através do documentário que conheci minha nova obsessão: Baki, um anime que não faz o menor sentido, mas é tão divertido que agradeço o tempo perdido assistindo a Enter the Anime. O que despertou minha atenção foi a sinceridade do diretor de Baki ao revelar que primeiro pensa nas poses de lutas para depois desenvolver o resto. Mais ou menos o que Michael Bay faz: pensa nas explosões e depois no roteiro. Mas Baki é tão absurdamente ruim que se torna espetacular. Gostaria muito de poder explicar do que se trata, mas 8 episódios depois ainda não entendi. Apenas sei que alguns lutadores muito bons estão o tempo todo saindo na mão por algum motivo que sabe Deus qual.

Mas é divertido. Me lembrou muito os animes noventistas e tem todo esse culto ao corpo, aquela coisa cheia de músculos misturada a uma filosofia bizarra que parece saída de algum gerador de lero-lero. Ou seja: é perfeito para quem se cansou de consumir conteúdo pelo conteúdo e quer apenas ser impactado por personagens que, por exemplo, aprenderam a criar VÁCUO com as mãos e com isso podem destruir muros de concretos. Um espetáculo.

A Netflix cria muita coisa, a maioria uma porcaria e agora está criando porcarias para anunciar porcarias. Quem diria que em 2019 eles ainda estariam inovando…

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