Não existe vilão em Better Call Saul

Fifi (S02E08) deixa claro que tudo é uma questão de ponto de vista

Luide
Luide
7 de abril de 2016

Uma das melhores coisas da Terceira Era de Ouro da Televisão é como o posto de vilão muitas vezes depende da visão do espectador. Quando Sopranos instituiu de vez o anti-herói como protagonista, ficaria difícil colocar outro personagem que fosse o antagonista moral.

Sendo assim, quando você muda a perspectiva, Walter White e Gus Fringe possuem a mesma brutalidade, a diferença é que você torce mais pro primeiro. É esse conceito interessante que vendo sendo explorado desde Tony Soprano que permite aos roteiristas criarem personagens mais elaborados, já que a ideia entre certo ou errado torna-se relativa.

Better Call Saul não ficaria de fora dessa brincadeira. E mesmo que o roteiro flerte com a possível vilania de Chuck, todos nós sabemos que ali o verdadeiro errado da história é Jimmy. Quer dizer, depende também… Na primeira temporada Howard se apresentava como esse inimigo de Jimmy e todos esperávamos por uma revelação dos motivos que o levou a isso, ou então se era apenas pura birra.

Eis que tudo foi conduzido de uma maneira brilhante até Pimento, o melhor episódio de Better Call Saul até agora, onde tivemos a verdade escancarada: desde o princípio era Chuck, seu irmão, quem tentava atrapalhar os planos de Jimmy, tudo porque ele conhecia quem realmente era esse advogado. Por um lado Chuck sempre esteve certo sobre o irmão, por outro, fica claro uma perseguição motivada por questões pessoais.

Ainda assim Chuck não é o vilão dessa segunda temporada, mesmo que Jimmy o encare assim. O fato é que ambos estão comprometidos por levar uma guerra entre irmãos fora do âmbito familiar. Assim, quando Jimmy falsifica os documentos da Mesa Verde para vingar Kim, a sensação é que nesse jogo não existe mocinho e bandido.

O lado bom nisso tudo é que Better Call Saul pode explorar por diversos ângulos a personalidade de seus personagens. Porém a série se mostra insegura sobre a história que deseja contar. Ao mesmo tempo que tenta seguir a ideia do spin-offf, Better Call Saul resgata vários elementos de Breaking Bad, inclusive narrativos: o plano sequência que introduz o episódio lembra muito as feitas em Breaking Bad antes dos créditos (não necessariamente os planos sequências…). E pra variar Mike segue completamente descolado de Jimmy.

Faltam dois episódios para esse final de temporada e Better Call Saul corre sérios riscos de pouco evoluir em sua trama. Os mesmos dilemas vistos nesse ano foram explorados a exaustão nos 10 primeiros episódios. Vamos torcer para mais um xeque mate de Vince Gilligan.

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