Não adianta apelar pra nostalgia se o produto final é ruim

Nem toda nostalgia será celebrada.

Luide
Luide
9 de abril de 2018

O acesso fácil a um acervo gigantesco de cultura que consumimos quando crianças e adolescentes praticamente reinventou o conceito de nostalgia. Hoje é completamente normal adultos que vivem exclusivamente de remoer lembranças de 20 ou 30 anos atrás, e passam a medir tudo que é novo por essa régua do passado. É claro que uma boa bagagem cultural nos ajuda a refinar o senso crítico, porém, quando só o passado é bom e tudo que é novo é taxado como ruim, colocamos essa nostalgia a cima da própria lógica.

A indústria já percebeu esse desespero em sempre ver a mesma coisa em filme e séries. O resultado são produções que apostam alto na nostalgia como forma de entretenimento, sendo Jogador Nº 1 e Stranger Things dois bons exemplos desse tipo de produto. A caça aos easter eggs e o deslumbre ao ver uma referência entrega essa paixão pelos itens da infância. Remoer e relembrar.

E a Netflix realmente resolveu levar esses conceitos a sério demais e tentou emplacar mais uma série de nostalgia, só que agora não mais aquela dos anos 80: os anos 90 é quem começa a ficar em evidência. Everything Sucks! veio com essa proposta de celebrar a década do grunge e do início da internet, se passando em uma escola em 1996. Toda aquela pegada de moda, gírias e cultura pop que marcaram essa geração. Mas nem tudo saiu como planejado e a série já foi cancelada logo em sua primeira temporada.

Everything Sucks!: gente não foi dessa vez

O que mostra o óbvio: nem toda nostalgia será celebrada. Stranger Things por mais que se baseie no excesso de referência para fisgar o público, ainda tinha uma história interessante (até a primeira temporada) voltada em explorar as relações de amizades entre crianças. Ou seja, sentimentos reais que já vivemos estavam sendo remoídos. Já Everything Sucks! não conseguiu embalar o mesmo ritmo e é mais uma produção Neflix ficando pelo caminho, sendo devorada pelo rolo compressor que irá investir US$ 6 bilhões em conteúdo original somente em 2018.

Nem tudo é bom e nem tudo dura pra sempre. E nem toda nostalgia consegue ser uma isca pra adulto em crise de personalidade.

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