Mentiram pra você sobre Orange Is The New Black

Você pode estar perdendo uma ótima série

Luide
Luide
19 de junho de 2016

Hoje você conta os dias pela próxima produção original do Netflix, faz memes, piadinhas, maratona tudo de uma vez quando chega. Mas há três anos era diferente, esse relacionamento ainda estava sendo construído, tanto aqui quanto lá fora. House Of Cards tinha feito sua estréia arrebatadora no início do ano, e em julho estreava Orange Is The New Black. Um drama político e uma comédia com doses de drama (ou seria drama com doses de comédia?). Nasciam ali as duas estrelas do Netflix.

House Of Cards encantou fácil seus espectadores. Uma série com Kevin Spacey, mostrando os bastidores da política, com jogos de influência, piscadinha pra tela. Não tinha como não gostar daquilo. Já Orange Is The New Black tinha uma proposta diferente. Seria uma série mais leve, porém com temas mais próximos de nós meros mortais. Na prisão de Litchfield estariam mulheres. Mulheres de verdade.

Já em sua abertura era possível notar os diferentes tons de pele, de gênero, de peso. Orange Is The New Black apresentava seus personagens com um toque bastante humano, e de uma maneira natural (como de fato são) tratava de temas “espinhosos” como identidade de gênero, homofobia, transfobia, machismo, relacionamentos abusivos, aborto, libertação das mulheres (a cadeia não foi escolhida como cenário de graça).

Mas também tocava em assuntos mais cotidianos, como família, amizade, saudade, arrependimento e punição. Eram pessoas comuns se relacionando e vivendo situações comuns. Orange Is The New Black avançava como uma promessa, conquistava mais e mais fãs, e claro, com isso, acabou criando seu próprio clube de admiradores.

Há quem diga que determinada banda até que é boa, o que estraga são os fãs. Parece que o universo das séries anda vivendo esse drama. Todo esse lance de shippar, criar fandons etc, cresce a cada dia. Geralmente quanto pior a série, maior o número de shippadores, quanto mais vazia, maior o fandom. Mas com Orange Is The New Black acontece o oposto. É uma série necessária para os nossos tempos, que ensina lições valiosas sobre diferenças. Mas muita gente cai no conto do fandom

Assim como House Of Cards não é sobre política, Orange Is The New Black não é sobre cadeia cheia de criminosas. É sobre pessoas, mas principalmente sobre ser mulher. Ao colocá-las dentro de uma prisão, Orange Is The New Black tira todos os adornos e caricaturas que já se presume que tenham. O equilíbrio perfeito entre humor e drama, transforma cada uma daquelas detentas em verdadeiras lições de vida. Há muito mais ali que simplesmente a terrível missão da Piper em sobreviver em um ambiente hostil.

É uma série de personagens e histórias. Cada um tem seu valor, seu momento, sua importância. Assim como David Simon transformou Baltimore em um personagem vivo, a prisão (mais como ideia do que física) é a protagonista em Orange Is The New Black. Afinal, o que significa SER e ESTAR livre? É isso que está sendo contato, temporada pós temporada.

Não deixe de assistir. Não deixe de absorver as histórias. Não deixe de ver Orange Is The New Black.

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