A melhor forma de assistir ao Oscar é dormindo

Cansa, né?

Luide
Luide
25 de fevereiro de 2019

O Oscar é um senhor de 91 anos tentando convencer millennials que ainda tem algo a oferecer. Ano após ano o evento vem sofrendo com a baixa audiência (que muitos culpam a “lacração”, o que é uma bobagem) por conta de um desinteresse generalizado pela TV. A ideia de passar quase 4 horas assistindo estrelas de Hollywood desfilando e discursando de forma genérica já perdeu o romantismo que tinha. É um tanto desolador suportar análises acertadas, traduções simultâneas e as mesmas duas chamadas publicitárias dos canais a cabo.

Por mais que todo mundo ame cinema e ame ainda mais discutir sobre cinema, o Oscar já se tornou aquele momento do ano onde as pessoas se juntam para ficar frustradas. Ninguém nunca está satisfeito e fingir decepção porque esse ou aquele filme ganhou ou deixou de ganhar alguma coisa é o que move a audiência teimosa que não abre mão da premiação.

Óbvio que mesmo que sofrível o Oscar está longe de ser um evento sem importância para a indústria do entretenimento e mais: nos últimos anos, a Academia luta também se tornar importante no âmbito político e social, tentando reparar algumas injustiças histórias e mostrar que apoia a diversidade (mesmo que alguns votantes façam isso a contra-gosto). Mesmo assim, mesmo com tudo isso, o evento é chato. Não tem muito o que fazer. Ele é formulaico, cínico e sem um bom host para carregar essas longas horas nas costas, a tendência é você estar lutando contra o sono pouco antes do prêmio de Melhor Diretor.

O Oscar sabe que é chato e todas as polêmicas que envolveram a edição de 2019 girou em torno disso: quero ser cool, como fazer? Premiar algumas categorias no intervalo, criar o Oscar de Filme Popular, não ter host etc e tal. Ideias ruins não faltaram e algumas foram descartadas devido ao caos que gerou. Apesar de continuar chato, o Oscar conseguiu a principal tarefa de encurtar o tempo de transmissão para 3 horas e de 17 minutos. O resultado é até positivo se comparado a audiência de 2018, a pior da história: um aumento de 14%, o que coloca a edição de 2019 ao lado de 2008 como a segunda pior.

Os próximos anos seguirão assim: uma batalha contra a atenção do público, que agora além dos celulares e serviços de streaming, tem celebridades fazendo live em rede sociais. Até a chamada “segunda tela” vem roubando audiência do prêmio máximo da televisão. O sono, claro, esse segue sendo um inimigo infalível, há algum tempo escolhi por ele como principal entretenimento em noite do Oscar.

Não tem nada mais prazeroso que acordar na segunda e ler os tuites raivosos porque fulano ganhou de beltrano. São pequenos prazeres que só quem desistiu de tudo pode ter.

E Pantera Negra, hein? Devia ter ganho era tudo…

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