Matthew Murdock Vs. Demolidor

Segunda temporada explora a necessidade do vigilante e se ele pode coexistir com o advogado

Luide
Luide
5 de abril de 2016

Demolidor chegou ao seu final de segunda temporada em ritmo acelerado, tudo pra conseguir amarrar as várias histórias que resolveu contar em 13 episódios. Nitidamente dividida entre o arco do Justiceiro e Elektra, ficou claro que esse segundo ano foi pensado as pressas.

A prova disso foi a saída do produtor Steven S. DeKnight e a estranha participação de Drew Goddard, criador e showrunner, que também chegou a anunciar seu desligamento (mas no fim acabou se envolvendo na produção). E como todos nós sabemos, quando o assunto é série de tv tudo gira em torno de um bom showrunner.

De todo modo, mesmo com alguns erros, a segunda temporada de Demolidor foi excelente para o desenvolvimento do personagem central. Aliás, o único elemento irretocável é Matt Murdock com Charlie Cox dando um show. No momento Demolidor é meu personagem favorito dentro desse universo compartilhado da Marvel e sem dúvidas aquele com mais profundidade e camadas.

No final das contas tanto o Justiceiro como a Elektra serviram apenas para colocar em cheque as convicções de Matt Murdock sobre sua dupla jornada. Começando por Frank Castle, que plantou essa primeira semente em nosso herói.

O que é justiça? Qual a diferença entre a noção de justo do Demolidor e do Justiceiro?  Um puxa o gatilho e o outro não? Nos fim das contas não é apenas olho por olho, dente por dente? Quando o Demolidor começa a perceber que seu vigilantismo em pouco se difere do Justiceiro, Matt Murdock passa a questionar a necessidade do Demônio de Hell’s Kitchen.

O Demolidor existe apenas para subjugar aquilo que a sociedade não consegue conter. É justiça através dos punhos. Mas o que ele deveria fazer no caso do homem que matou uma senhora por nada? O Justiceiro então coloca o Demônio no papel do juiz: a justiça é feita pelos valores morais ou pelos direitos que a sociedade define?

Começa a batalha interna de Matt. É possível o mesmo corpo humano dar espaço para o advogado que prega a lei acima de tudo e o vigilante? É então que Elektra torna-se fundamental dentro da trama. Ao contrário do seu ex-namorado, ela sempre deixou aflorar seu lado violento, ou como a mesma define, seu verdadeiro eu.

Aos poucos Matt vai percebendo que ser o Demolidor não é apenas uma questão de praticar o que ele considera justo, mas também de satisfação pessoal. É inegável que ele sente prazer em usar o uniforme e aplicar a bandidos aquilo que o Estado não consegue (ou evita).

A verdadeira guerra nessa segunda temporada de Demolidor foi travada dentro da mente de Matthew Murdock. Quando ele revela para Elektra que somente ela entende seu verdadeiro lado, fica claro quem vencerá. O Demolidor estará mais forte do que nunca na terceira temporada.

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