Master Of None. Segunda temporada. Que coisa maravilhosa…

Segunda temporada de Master Of None é um exemplo de criatividade e ousadia. E é maravilhosa.

Luide
Luide
20 de junho de 2017

Mesmo com a marca de 100 milhões de assinantes atingida, 2017 não é lá um dos melhores anos da Netflix. Ou suas séries foram um fracasso de crítica (13 Reason Why, Punho de Ferro) ou de público (Sense8, The Get Down). Até obras já consagradas dentro do serviço de streaming como House Of Cards e Orange Is The New Black tiveram uma recepção morna. Em meio a tantas produções barulhentas, é Master Of None quem faz a melhor temporada de uma série no catálogo da Netflix nesse amargo 2017.

Master Of None é antes de mais nada uma série de realizadores, principalmente no que diz respeito a Aziz Ansari, que escreve e dirige vários episódios. Ele não tem medo de expor suas próprias urgências e muito menos de experimentar, testar formatos e abusar da diversidade de temas. É difícil imaginar uma série que vai da religião a um emocionante episódio onde um lésbica aceita sua sexualidade e se revela para a família. E o mais interessante é como em momento algum Master Of None tenta repetir uma fórmula ou partir pra mesmice.

Já de cara um episódio em preto e branco, pra logo em seguida nos mostrar como a relação de Dev e Arnold realmente foge dos padrões. Como já dito, Master Of None é uma série de realizadores, e Alan Yang, co-criador, afirmou que essa relação não é proposital, já que na vida real, tanto ele quando Aziz se tratam assim. “Acho que se você saísse comigo e Aziz, você não acharia que somos masculinos, mas também não acharia que somos dois bobões“.

Claro que a vida amorosa de Dev e os problemas do homem moderno e solitário não ficariam de fora, aliás, ela é sempre assunto recorrente. O episódio First Date é um raro exemplo de como explicar em 30 minutos essa solidão, o medo e a ansiedade que ela provoca. Falei mais sobre esse tema nesse post.

Religion é um simples e tocante retrato de como diferentes gerações lidam com a fé, e como ela está diretamente atrelada a cultura: Dev não teve a infância de seus pais, cresceu em Nova Iorque e sua vida não foi impactada diretamente pela cultura islâmica.  E por falar em Nova Iorque, New York, I Love You é um excelente estudo sobre essa cidade e seus milhões de protagonistas. O momento em que Master Of None fica mudo para nos mostrar o ponto de vista da personagem surda é tocante.

São detalhes assim, simples, que vão empurrando a segunda temporada para o status de pequena obra prima da Netflix. Mas entre tantos bons momentos, Thanksgiving beira a genialidade ao nos mostrar através de várias comemorações de Ação de Graça, como foi o processo de descoberta e aceitação de Denise e sua família. E como partir pra essa abordagem se Aziz é homem e hetero? Pedindo para que a própria atriz, Lena Waithe, escreva o roteiro.

“O Alan me perguntou como eu saí do armário. Tivemos uma longa conversa sobre isso, como a religião teve um papel importante na minha família, e eu cresci em uma casa de mulheres. Antes de chegar ao meu hotel, Aziz me ligou e disse: ‘nós temos que contar essa história e precisamos que você a escreva ‘” revelou a atriz.

Master Of None fecha sua segunda temporada mostrando que hoje é a melhor série da Netflix em qualidade e criatividade (tirando Chef’s Table, óbvio, mas essa nem a Netflix sabe que é dela). Bacana demais ver algo assim, sendo feito sem querer chamar muito a atenção, e se saindo muito bem. Atlanta tem uma forte concorrendo no Emmy Awards desse ano. A briga vai ser boa.

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