Mas que desgraça se transformou o Emmy Awards

Que tristeza. Que tristeza.

Luide
Luide
18 de setembro de 2018

Há uma certa insistência em assistir premiações. Por um lado é quase certo que iremos nos sentir ofendidos com os vencedores, já que paixão e merecimento se misturam e fica difícil não torcer igual um fanático por futebol. Soma-se também um desgaste físico e emocional, que aumenta ano após ano, como se estivéssemos ficando velhos demais para cerimônia longas, com um glamour pedante e cheio de análises acertadas sobre os concorrentes.

Mas por outro lado é parte do que se entende como cultura pop acompanhar o desenrolar desses momentos, que podem ser insuportáveis de tão chatos como a cerimônia do Oscar em 2018, mas inesquecíveis como a de 2017 (Lalaland e Moonlight e tal). Ai vai de cada um decidir se vale e pena fazer parte disso, pesar os prós e contras e chegar a um consenso. No meu caso, abri mão de acompanhar o Emmy Awards pela primeira vez desde que criei o Amigos do Fórum. E não me arrependo.

Meu desinteresse pelo evento começou bem antes da edição de 2018, quando Game Of Thrones ganhou em Melhor Série Dramática pela primeira vez. Ali deu pra perceber quais caminhos o “maior prêmio da televisão” iria seguir: tentar conquistar uma nova audiência, essa “jovem”, apostando em séries blockbusters e queridinhas, e abrindo mão de qualquer lógica para isso. Definitivamente não importa mais quem foi a “melhor série” da temporada, importa quantas pessoas tuitaram sobre ela ou quantos youtubers fizeram vídeos de teoria.

Sendo assim não me espanta nenhum pouco acordar na manhã pós evento e descobrir que a terrível sétima temporada garantiu a Game Of Thrones o prêmio de Melhor Série Dramática da temporada de 2017/2018. Veja bem, aquela temporada ridícula, forçada e praticamente escrita por editores do grupo Game Of Thrones Da Depressão venceu a temporada final de The Americans, o segundo ano de The Handmaids Tale, The Crown e This Is Us (Westworld e Stranger Things estavam ali só para reforçar o que disse no parágrafo acima).

O “maior prêmio da televisão” ainda entregou outros absurdos, como David Lynch perdendo em direção para Ryan Murphy e Atlanta saindo sem nenhum prêmio, mesmo depois de uma temporada histórica. A terceira temporada de Twin Peaks que provavelmente é a melhor temporada em série já feita sequer foi indicada e saiu de mãos abanando.

O fã de série que um dia se orgulhou de acompanhar dramas como Breaking Bad e Mad Men, hoje precisa se contentar com referências aos anos 80 e misteriozinhos ganhando destaque e servindo de influencia para o que deve ser feito. Passamos a medir as coisas por baixo e estamos tão acostumados com o medíocre que ao criticar alguma nova série, o que se ouve “queria que fosse uma Sopranos?“. Sim, eu queria e sempre vou querer. Mas isso já virou papo de nostálgico, tirando algumas pequenas exceções, o mundo das séries virou isso aí: pauta pra youtuber fazer vídeo de teoria.

Até o ano que vem.

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