A máfia nada glamurosa em “The Sopranos”

E o dia dia de um homem comum

Luide
Luide
12 de maio de 2015
 

Tony Soprano: um pai de família

Já faz um ano desde a primeira vez que fui para o divã com Tony Soprano, desde então, acabei me enrolando e faltou tempo pra terminar de assistir essa que é uma das maiores obras já produzidas.

Se dependesse de mim, a Trindade da Era de Ouro da TV teria Breaking Bad, The Wire e The Sopranos.

Levar praticamente um ano para recomeçar deu um gostinho bacana. Essa espera que passamos todos os anos para acompanhar séries que ainda estão sendo exibidas, eu passei sem querer com Sopranos. Porque eu sabia que depois que eu desse play no S02E01 eu só iria parar no S02E13. E foi assim.

The Sopranos pode ser classificada como crônicas de um homem (mafioso) de família. Ou melhor, crônicas de uma era pouco charmosa da máfia italiana. Cada episódio tem um pouco a mostrar da personalidade de Tony e suas relações com a família e trabalho. É basicamente o dia dia de um homem comum, se não fosse pelo pequeno detalhe do tipo de trabalho que ele faz.

É bacana notar o quanto Tony e seus gangsters são fascinados pelos clássicos de máfia, com diversas citações (e pequenas encenações) de Poderoso Chefão I e II. Essa adoração a a máfia retratada nos cinemas tem tudo a ver com a série, que em momento algum glorifica a “profissão”, mas parece sentir uma certa inveja da Família Corleone. A máfia em Sopranos tem mais dor de cabeça que qualquer outra coisa, e se parece mais com Os Bons Companheiros de Scorsese que com os filmes de Coppola.

Tudo isso representado por Tony Soprano, o mafioso mais humano que você irá conhecer. Colocar o poderoso capo em posição de desconforto frente a psicóloga é genial, ainda mais de uma psicóloga que acaba precisando de ajuda para ajudar o mafioso. Tony sofre com a pressão de comandar uma família tradicional e outra com um certo grau de insalubridade.

No que diz respeito a falta do glamour, o choque de realidade vem quando eles viajam para Itália, a terra mãe, e assistem de perto um pouco da rotina no país que começou tudo disso. De repente, eles parecem brincar de mafiosos com a permissão dos adultos. Tirando as fartas refeições, os italo-americanos se parecem mais com bandidos do bicho mesmo.

Mas não é o glamour (ou a falta dele) que faz de The Sopranos essa série única. O roteiro não se afoga em seu próprio tema e vai, aos poucos, mostrando coisas que ninguém estaria disposto a ver em um filme do gênero. O chefe da máfia local com desinteria tira qualquer ar de deus…

Não é por menos que a narrativa influenciou uma geração de outras séries, inclusive Breaking Bad, e quando mais assisto a Sopranos, mais vejo semelhanças. Mas diferente de Walter White, Tony Soprano não tem um norte definido. Seu dia a dia, seu trabalho e problemas pessoais vão sendo contados ao longo da temporada.

Obviamente, sem nada parecer com a vida de Michael Corleone

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