Live do Choque de Cultura foi de longe a melhor coisa do Oscar 2018

Os maiores nomes do transporte alternativo deram um espetáculo com mais de 5 horas de duração.

Luide
Luide
5 de março de 2018

A internet tem o poder mágico de saturar tudo que é legal. É tanta gente forçando algum filme, série, músico ou inclusive meme, que bastam alguns dias para que aquilo se torno algo insuportável, mesmo sendo verdadeiramente bom. A obsessão vai criando uma superexposição que no fim transforma todo sucesso em algo meteórico. Mas ainda bem certas coisas são imunes a essa saturação, e Choque de Cultura se mostrou uma delas.

O quadro produzido pela TV Quase estreou em novembro de 2016 no canal do Omelete, e em sua primeira temporada teve uma passagem modesta em relação a visualizações, mas atingiu o público certo. Assim, quando voltou com novos episódios, o Choque viu uma legião de fãs esperando e logo seus vídeos atingiram a marca de 1 milhão de visualizações. Nadando contra todo tipo de humor feito hoje na plataforma, os maiores nomes do transporte alternativo se tornaram também os maiores nomes da comédia na internet.

E se alguém tinha alguma dúvida, a noite do Oscar provou de vez a capacidade dos quatro membros em fazer rir. Ao longo de mais de 5 horas, Renan, Maurílio, Julinho e Rogerinho seguraram o sono e de longe foi a melhor transmissão feita no Youtube.

É fácil entender da onde vem tanta criatividade para humor. Os membros do Choque de Cultura são roteiristas de programas como Larica Total, Falha de Cobertura, O Último Programa do MundoIrmão do Jorel, Lady Night e outras produções. Seus personagens são praticamente universais, já que todo mundo já topou pelo menos uma vez na vida com essa caricatura do motorista, seja no taxi, uber ou busão. Ou talvez seu próprio pai seja um deles.

O sucesso do grupo pode ser medido em números: apenas a live do Felipe Neto teve maior audiência, mas estamos falando de um canal com 19 milhões de inscritos. Mesmo assim, perto da meia noite, a diferença entre os espectadores do Choque de Cultura e Felipe Neto era de menos de 30 mil. Mas o que exatamente tinha de diferente?

O Oscar é um evento longo, lento e que não consegue mais engajar a audiência. Ano após ano a premiação sofre baixas de espectadores, mas em compensação é sucesso absoluto na internet. Com isso criou-se o fenômeno da live, onde youtubers encontraram um terreno fértil para passar horas ao vivo fazendo análises, já que muita gente não tem acesso a tv a cabo e acaba acompanhando a premiação através de comentários nas redes sociais. O problema é: todas são iguais. Todo mundo acertando suas apostas (mesmo que você não entenda nada de cinema e sequer tenha visto aos filmes, basta se guiar pelos prêmios dos sindicatos que você acerta tudo) e com aquela cara de tédio.

Enquanto isso, Choque de Cultura improvisou, bebeu cerveja, criou personagens, fez algo original onde só se vê repetição. E o resultado é a melhor coisa de um Oscar morno e previsível, mas que ao menos premiou Get Out em Roteiro Original.

Choque de Cultura está longe de cair na saturação da internet, já que o talento de seus criadores supera até mesmo o azar danado que exala da paixão dos tuiteiros. Vida longa ao transporte alternativo.

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