O garotinho autista que aprendeu a se comunicar graças aos filmes Disney

Quando o cinema extrapola a tela

Luide
Luide
16 de fevereiro de 2017

Quando criança, lá no interior do Paraná, me virava como podia para poder brincar com os personagens que eu gostava. Como não existia uma loja de brinquedos decente nem banca de revistas, eu passava o dia desenhando Cavaleiros do Zodíaco, Jaspion, Yu-Yu-Hakusho etc, com todo aquele universo de super heróis, vilões e monstros fervilhando em minha mente. Certamente esse processo imaginativo e a influência desses seriados, filmes e desenhos deixou vestígios no Luide adulto, hoje na casa dos 30 e pai de uma filha linda.

Quero o mesmo pra ela. Quero que a Alice assista filmes, desenhos, tenha brinquedos coloridos, sonhe em ser uma guerreira, uma princesa, uma ninja, astronauta… o que ela quiser. O que ela imaginar e que todos os mais variados e improváveis mundos passem por sua cabeça. O poder do cinema em ajudar nesse processo é incalculável.

Quando você ouvir frases como “ah, isso é só um filme“, conte a história de Owen Suskind. Mas primeiro, você precisa assistir ao documentário Life, Animated. Ele está entre os indicados ao Oscar e estreou recentemente na Netflix. Aí sim, você poderá contar a história de Owen.

Owen Susking era uma criança normal, até que, aos 3 anos de idade, parou de falar e passou a agir de modo instável. Não dormia, vivia olhando para o nada, até que seus pais tiveram o diagnóstico: autismo. A partir dai, uma série de especialistas passaram pela vida do pequeno garoto, mas nada acontecia. Nada mudava. Os únicos momentos onde Owen ficava tranquilo e concentrado era assistindo aos filmes Disney.

Foi então que um dia, seus pais descobriram que depois de tanto ver e rever esses filmes, ele aprendeu a se comunicar e principalmente expressar seus sentimentos a partir de diálogos entre os personagens. Life, Animated traça então duas linhas narrativas: a primeira mostrando como foi para o pequeno garoto quebrar uma barreira invisível e se mostrar ao mundo, e a outra, o agora adulto precisando lidar com um mundo sem roteiro.

Life, Animated arrepia. Em menos de 10 minutos eu já chorava de soluçar. Poucas vezes vi uma história tão incrível, poderosa e inspiradora como a de Owen e sua família. Tudo isso só reforça e confirma o quão importante um filme pode se tornar. Ele aprendeu conceitos básicos de amizade e amor assistindo a Mogli e Simba. Conseguiu superar a separação dos pais com Dumbo e Bambi. E com O Corcunda de Notre Dame, ele se viu na pele de Quasimodo: o estranho querendo apenas viver sua vida fora da torre.

“Olhe para dentro de você, você é muito mais do que pensa que é!”

A perseverança que esse documentário transmite, a mensagem que explode na sua cara, é tão importante, mas tão importante, que você se sente na obrigação de sair por aí gritando “assistam Life, Animated“. Nunca, NUNCA mais você irá ao cinema com a mesma mentalidade.

Esqueça essa bobagem de “crítica boa/ruim” e foque no “o que esse filme pode me ensinar?”. Cinema é isso: experiência, emoção, sonhos. Cinema não é nota, estrela. É vida. É inspiração. Owen enfrentou seus medos e assim como Simba, subiu no topo da mais alta pedra e rugiu para o mundo: EU EXISTO!

Seja assinante e ajude o Amigos do Fórum a seguir crescendo!
Posts Relacionados
  • 04/07/2017

  • Luide

O Jardim das Aflições vence como Melhor Filme no festival que sofreu boicote

  • 21/05/2017

  • Luide

Assisti o documentário Laerte-se ao lado da minha mãe

  • 02/05/2017

  • Luide

Laerte-se é o primeiro documentário brasileiro original Netflix