Levei 4 anos, mas finalmente parei pra ouvir o discurso do Criolo sobre a “Ascensão da Classe C”

E ele está correto.

Luide
Luide
23 de maio de 2018

Era 2014 e Lázaro Ramos conduzia o programa Espelho no Canal Brasil. Por se tratar de uma emissora pequena, obviamente  o número de pessoas que sabiam da existência dele era mínimo. Mas até que um dia, trecho de uma entrevista com Criolo caiu no colo da internet. O cantor deu um longo discurso sobre a “ascensão da Classe C” e bravou contra algumas questões, como a saúde tratada como comércio. Acontece que ao invés de despertar a reflexão, esse vídeo acabou sendo motivo de deboche nas redes sociais. No twitter virou até Trending Topics.

Eu fui um dos que riu e saiu sem entender muita coisa. Em parte pela ignorância, mas acredito que o motivo principal era o de não querer ouvir. Aquela velha molecagem de se distanciar de temas necessários, ser apolítico e evitar dedicar 5 minutos que seja para um assunto sério. A eterna zuera como se fôssemos coadjuvantes do filme do Deadpool.

Pois bem. O tempo passou e quatro anos depois esse vídeo foi ressuscitado por um grupo chamado “Direita Amapá” com o título: “O esquerdista Lázaro Ramos ficou mudo sem reação alguma, ao ver o refrão mentiroso da esquerda da ascensão da classe C exposta por MC criolo“. Até agora já foram quase 100 mil compartilhamentos no facebook.

Deixando de lado a interpretação do autor dessa descrição, pela primeira vez parei para ouvir o que o rapper tentou dizer. E concordei com cada palavra que saiu de sua boca.

A história de Kleber Cavalcante Gomes, o Criolo, é fascinante. Sua família veio de Fortaleza e fez a vida em São Paulo, se instalando no bairro do Grajaú, extremo Zona Sul da capital. Em toda entrevista Criolo fala sobre a importância do bairro em sua criação e principalmente do relacionamento com seus pais (ele inclusive cursou o colegial junto com a mãe). Mais do que um rapper, Criolo é um poeta. Suas músicas, suas entrevistas… são momentos de pura sabedoria e delicadeza com as palavras.

Uma que gosto em particular é com o João Gordo, no programa Panelaço. Quando Gordo pergunta a Criolo se ele não acha “chato” lidar com brasileiros em shows internacionais, o cantor dispara: “a gente tá fazendo comida. Chato é não ter o que comer“. É um sujeito simples, dono de uma voz forte e rimas pontuais.

Nesse espaço de tempo entre a primeira vez que vi sua participação em Espelhos e agora, 2018, tive mais contato com a arte de Criolo e obviamente amadureci um pouco. Não como deveria, mas amadureci. Revi sua conversa com Lázaro Ramos duas vezes seguidas para absorver tudo que podia. E acho que você deveria fazer o mesmo, dessa vez com ouvidos e coração abertos:

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