Junior Groovador: tenha orgulho de sua cultura

JUNIOR. BASS. GROOVADORRRRRRRRRRRR.

Luide
Luide
1 de outubro de 2019

Se existe algo que nunca cai de moda é o desprezo do brasileiro com sua própria cultura. Quer dizer, o brasileiro afetado. Apesar de riquíssima e sofisticada, nossa cultura foi tirada de nós: é bastante comum esse distanciamento, uma espécie de desdém com tudo que é popular. Do funk ao sertanejo, do grafite as novelas. É como se nada criativo surgisse pelas nossas mãos. Nossa maior festa é o Carnaval e ainda assim tem gente que “odeia” porque “não é cultura”.

É tanto tempo discutindo cultura de fora (e não tem problema nisso) que quando um Bacurau estreia e as pessoas vão assistir, saem do cinema com um certo espanto: “nossa, sério que nossos filmes podem ser tão bons?“. Não só podem como são. O Brasil é grande demais e por ser grande demais, tem gente demais e cultura demais. E essa extensão faz com que o caipira do interior de Goiás não entenda o corte de cabelo blindado da periferia de São Paulo, da mesma forma que um carioca pode achar estranho o brega nordestino.

Tudo bem achar estranho, só não pode é achar que isso é menor. A história do Junior Groovador é mais ou menos isso: alguém o Sul/sudeste achava engraçado, precisou um artista de fora se encantar com sua música e seu jeito descontraído de tocar um baixo para que ele ganhasse o próprio país. Junior é cria da internet: surge como um viral, se torna uma espécie de meme, mas mesmo com tanto talento e visualizações, não é levado a sério por muita gente.

Pra muitos é apenas um cara engraçado tocando baixo. Mas para Jack Black do Tenacious D era um puta músico que merecia um espaço no Rock In Rio. No fim das contas tá tudo certo, que bom que alguém notou, mas Junior Groovador é só um em meio a tantas pessoas talentosas lutando todos os dias pra viver de sua arte. Ele, por exemplo, é segurança, o baixo é apenas uma paixão que não vai embora.

Quando Jack Black tuitou se alguém poderia coloca-lo em contato com Junior, confesso que senti um pouco de medo. Porque se existe algo pior que o desprezo dos brasileiros pela própria cultura, é um certo fetiche que muitos habitantes do “primeiro mundo” a tratam. Mas ele foi respeitoso, realmente gostou do que viu e cara… que espetáculo. O Groovador mostrou que não tem medo de público, de palco, de nada. Fez o que faz há anos:

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