Já pensou em assistir O Jardim das Aflições? Talvez você goste

O Jardim das Aflições não é uma cinebiografia de Olavo de Carvalho, mas fala sobre sua obra. E você pode gostar bastante.

Luide
Luide
19 de setembro de 2017

O filme que não deveria existir“: é assim que, pouco antes de entrar em cartaz nos cinemas, O Jardim das Aflições foi apresentado pela campanha de marketing. Naquela altura já estava bastante claro que o documentário teria um público específico. A frase teria sido dita por algum profissional de cinema do Recife, e assim que Josias Teófilo a divulgou em seu facebook, ela se tornou o principal slogan de uma obra que foi abraçada pela polêmica. Do boicote no Festival de PE (onde o filme se consagrou vencedor meses depois) até mesmo o racha entre membros da produção (com direito a puxão de orelha do próprio Olavo), O Jardim das Aflições nasceu, cresceu se desenvolveu e agora entra para a história do cinema nacional como um dos documentários mais debatidos, amado e na mesma intensidade, odiado. Esse último um oferecimento de quem nem ao menos assistiu.

A abordagem escolhida por Josias Teófilo é bastante pessoal. O diretor é fã declarado da obra do filósofo e esse documentário é praticamente uma homenagem ao seus anos como escritor. Não é um documentário biográfico: são poucos os momentos em que Olavo ou sua esposa falam de suas vidas pessoais. Um momento em especial é quando, no sofá da sala, eles contam como se conheceram e de algumas situações estranhas de seus antigos cursos. Soa mais como uma conversa para refrescar e manter boas lembranças. Não é didático ou muito menos tenta pontuar a carreira de Olavo.

Em 2012, sabe-se lá porque, me deparei com um vídeo de Olavo de Carvalho. Era um trecho do programa True Outspeak, feito por ele no Youtube e também disponibilizado em podcast. Naquela época antes da releição da Dilma e principalmente das manifestações de junho, Olavo de Carvalho já era um best seller e intelectual influente. Porém, a grande massa que hoje o acompanha com fervor nas redes sociais, pouco ou quase nada sabia sobre ele. Foi graças a internet e de figuras influentes por aqui, que o filósofo ganhou ainda mais espaço. Seguido de perto políticos e apresentadores de TV, Olavo é visto por alguns como guru, já por outros, como um desserviço para a política nacional. Foi com esse argumento que os cineastas retiraram seus filmes do Cine PE.

Mas o fato é que indiferente ao zunido das redes sociais, O Jardim das Aflições é um excelente produto do audiovisual nacional, um belíssimo documentário que explora temas complexos de uma maneira simples e dinâmica. Belamente fotografado por Daniel Aragão, Jardim não esconde sua admiração por Olavo. O tempo todo a câmera o foca como esmero, o enchendo de poder. E longe daquele Olavo que tuita palavrões e grita diante das câmeras, o que temos aqui é um homem sereno, confiante de suas ideias. E, em determinados momentos, um homem brilhante.

Montado em atos, O Jardim das Aflições não deixa de ter um teor político, mas é justamente quando toca em temas mais universais que Josias Teólifo extrai o melhor de Olavo de Carvalho. Seu monólogo final sobre eterninade é para deixar qualquer um pensativo durante horas. É inevitável.

Entendo quem odeia Olavo de Carvalho, entendo quem ama e até quem não tem opinião alguma sobre ele. Mas não entendo que sai de O Jardim das Aflições sem dizer que assistiu a um belíssimo filme. Nacional.

Apesar do preço salgado, O Jardim das Aflições chegou em streaming.

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