Imaginação, forma + conteúdo

Love, Death + Robots é a série que você precisa ver. Se é que já não viu.

Luide
Luide
20 de março de 2019

É simplesmente terrível a sensação de estarmos diante de uma série que, oito episódios depois, ainda não mostrou a que veio. Ou simplesmente trava na narrativa e não te leva a lugar algum. Durante muito tempo insistia em produções que nitidamente não eram mais pra mim, já que ao invés daquela empolgação inicial, somente me carregavam semana após semana, alimentando um tédio e me fazendo perder tempo. Não foi fácil, mas me desapeguei por completo. Não tenho o menor problema em desistir de uma série, não importa se está próxima do fim ou prestes a revelar algo bombástico.

Ficou chata? Adeus e paciência, tem outras séries.

A Netflix além de potencializar essa histeria por séries, também criou uma espécie de culto a elas, onde o assinante meio que se vê obrigado a assistir coisas como a segunda temporada do Justiceiro até o fim, porque ele já viu “três episódios e agora vai até acabar“. E nessa jornada em busca de “tem que ver tudo pra ter uma opinião”, você gasta um bom tempo da sua vida. Mas é isso: é sua vida, segue nessa até morrer. Mas pra quem durante a semana tem raríssimos momentos para se gastar com entretenimento, prestar mais atenção naquilo que se consome se torna uma obrigação.

É por isso que me irrita o fato da Netflix não perceber a liberdade que tem em mãos. É um serviço de streaming, por assinatura, com produções para todo tipo de gosto. Ao invés de usar dessa liberdade para se criativa e provocar dentro do seu próprio meio, acaba repetindo as mesmas fórmulas desgastadas dos canais comuns. Com a palavra, David Fincher durante um painel no SXSW:

“Eu não acho que o valor da obra deva ser calculado por sua metragem, e sim sua metragem deva ser calculada de acordo com o tempo necessário. Se você precisa de três minutos, ótimo. Precisamos nos livrar dessa ideia de que episódios devam durar 22 ou 48 minutos. Queremos que a história seja tão longa quanto for necessário para que tenha o máximo de impacto ou valor de entretenimento dentro da proposta”.

Série não tem que nada. Série só precisa contar uma boa história de um jeito honesto. E fim. E é por isso que Love, Death + Robots é esse espetáculo todo, a primeira obra da Netflix que entendeu o meio em que está inserida e usa disso ao seu favor. Bem mais que Black Mirror: Bandersnatch, que só transforma o controle remoto em algo interativo (mas de forma boba). Nessa produção que além de David Fincher tem o dedo de Tim Miller, a imaginação livre é o que comanda cada um dos 18 episódios.

Mas é imaginativa mesmo. Daquele tipo de proposta que no papel parece a pior ideia possível. “E se um iogurte dominasse o mundo?“, “E se Hitler pudesse morrer de diversas formas?“, “E se fazendeiros tivesse robôs gigantes?“. Nas mãos das pessoas certas essas ideias se tornam um delicioso entretenimento, ao mesmo tempo que nas mãos erradas dariam uma porcaria sem precedentes. Aqui, além da imaginação, o tempo é um grande parceiro. Pra não desgastar, não deixar aquela sensação de cansaço, Love, Death + Robots é a mais dinâmica possível. Piscou, acabou.

E está ótimo. Por mais obras assim. Por mais criativos assim. A sua eu não sei, mas minha mensalidade agradece.

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