Homeland: ISIS, espionagem, refugiados e Carrie

Quinto ano retorna provando de vez que a série mudou sem perder a essência

Luide
Luide
8 de outubro de 2015
 

Podemos dizer que existem duas séries dentro de Homeland. A primeira conta a jornada de um fuzileiro convertido ao islamismo de volta a sua terra, uma jornada que tem seu início (se aceitar como um mártir, 1ª temporada), meio (a negação, 2ª temporada) e fim (redenção, 3ª temporada). Já a segunda série fala sobre espionagem internacional, conflitos religiosos e políticos, o papel dos EUA no Oriente Médio, terrorismo. Essa teve sua segunda temporada começando no último domingo dia 4, que alguns consideram como quinta.

O que não muda em Homeland é sua maturidade e elegância em abordar temas tão difíceis e que poucos se aventuram por eles sem soar como patriotismo fútil. O showrunner Alex Gansa pode ter escorregado na terceira temporada e na season finale da quarta, mas seu trabalho merece respeito. Ele conduz uma série de alto nível, com um roteiro que ainda impressiona pelos elementos surpresas, e por personagens intensos, fortes, com várias cicatrizes causadas ao longo desses 5 anos.

Carrie é sem dúvidas a grande joia de Homeland. Tudo ali é sobre ela, sobre seus extremos e a interminável busca pela paz… não do mundo ocidental, mas dela. Em uma era que criou protagonistas difíceis como Tony Soprano e Don Drapper, Carrie Mathison surge como um dos maiores exemplos de como a fórmula funciona independente do gênero.

Ainda que Carrie seja a grande condutora de HomelandSaul e Peter Quinn são cada vez mais essenciais. Aliás, fica difícil de imaginar o que seria da série sem esses três. Ambos carregam o peso do trabalho, da responsabilidade, e de suas convicções. Não é errado dizer que são iguais, idênticos.

Dois minutos para se preparar para o paraíso

E Rupert Friend cresceu demais na última temporada e Peter Quinn vem se tornando cada vez mais um personagem incrível, daqueles impossíveis de ler. Posto na série como um exemplo do que a guerra causa nos seres humanos desse lado do globo, Peter nítidamente vem se tornando uma ameaça a si mesmo, maior do que qualquer grupo extremista.

Homeland retorna para seu quinto ano com marcas do passado, mas seguindo em frente. Assim como Carrie. É preciso superar certas perdas, erguer a cabeça em busca de novos horizontes. O fato é que hoje, mesmo quando erra, Homeland ainda é melhor que 90% das séries que temos em exibição. O episódio que marca seu retorno coloca na mesa temas que estão em bastante evidências, temas que certamente darão o tom dessa temporada. ISIS, crise dos refugiados, a crescente onda de violência no Oriente Médio, vazamento de arquivos do governo. São coisas que estão aí acontecendo enquanto eu escrevo esse post.

Dois momentos marcam esse retorno: quando Peter Quinn fala sobre o que motiva o ISIS. Certeza que isso irá causar indigestão naqueles que ainda buscam dialogar com esse grupo (aquele que coloca pessoas em um carro e atira um míssil). Por outro lado, um dos líderes do Hezbollah é enfático ao dizer para Carrie: “nossa força é o sofrimento, e vocês nos fornecem combustível infinito“.

Dura e direta, senhoras e senhores, Homeland está de volta.

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