A história que O Rei Leão não te contou

Os donos dos seus sonhos são assim.

Luide
Luide
22 de maio de 2019

Até certo ponto existe uma lógica em se “comemorar” que um filme o qual você amou tenha um bom desempenho em bilheteria. Isso pode garantir uma sequência ou uma nova Saga nos cinemas. Imagine se lá em 2007 o Homem de Ferro tivesse sido um fiasco colossal, mostrando que as pessoas ainda não estavam preparadas para super heróis B da Marvel? Deu certo e graças a isso você tem espetáculos como Guerra Infinita e Ultimato. Mas a grande verdade é que o nerd, em sua média, se tornou esse deslumbrado que trata a cultura pop de uma forma infantil e grotesca.

Ele acha incrível que um estúdio tenha o monopólio do entretenimento e um absurdo que um cineasta reclame da falta de espaço para cinema nacional. Ele não vê problema no primeiro, inclusive torce para que a Disney compre absolutamente tudo, e faz graça ao invés de ouvir o argumento de um diretor de cinema que se preocupa com a arte enquanto arte. Mas cobrar reflexão de alguém que entra em parafuso quando dizem que a Capitã Marvel é mais forte que a porra do Thor é pedir demais.

Mas cultura pop ainda é um ambiente de sonhos, magia, reflexões e inclusão, mesmo que meia hora em qualquer rede social nos faça sentir o contrário. E dói descobrir quando um produto desse meio que tanta alegria nos trouxe é coberto por histórias terríveis, mostrando o lado obscuro da grande do entretenimento. É mais ou menos isso que O Rei Leão e o Músico Esquecido, oitava parte do especial Remastered, vem mostrar.

Essa série especial de documentários investigativos na Netflix conta as histórias que a indústria da música não conta, mas esse episódio dedicado a Solomon Linda é um soco na cara de quem passa o dia defendendo estúdios e megacorporações. Solomon foi um músico sul-africano, um artista que como muitos morreu sem colher frutos do seu trabalho. É dele a canção Mbube, a versão original de The Lion Sleeps Tonight, conhecida mundialmente por ter sido parte de O Rei Leão. O documentário é mais uma amostra de como EUA e outros países do ocidente sugaram e sugam não apenas recursos humanos e ambientais da África, mas também cultural.

A história de apropriação da arte de Solomon por gravadoras americanas não é tão incomum quanto se imagina: tira-se dela as origens, adiciona um certo fetichismo branco com o que se considera “sub cultura” e obviamente se esquecem daqueles que deveriam colher os frutos. Em determinado momento, uma das filhas de Solomon diz que é “triste saber que enquanto O Rei Leão lucrava milhões com Mbube, as filhas do compositor passavam fome“.

Esse é um lado terrível da cultura pop: no topo da cadeia está uma indústria que visa o lucro acima de tudo. Nossos sonhos tem donos e eles fazem o que quiser com eles. Assista. Mesmo.

Seja assinante e ajude o Amigos do Fórum a seguir crescendo!
Posts Relacionados
  • 28/01/2019

  • Luide

Fyre Festival: o que um influenciador pode fazer por você hoje?

  • 12/04/2018

  • Luide

Wild Wild Country: nada do que você imaginar pode ser mais bizarro que esse documentário

  • 29/03/2018

  • Luide

A Coreia do Norte é o país mais incrível do mundo. Duvida? Assista esse documentário