Há cada vez menos motivos para se orgulhar de ser nerd

Segura a toalha, amigo.

Luide
Luide
25 de maio de 2018

Há um ano publiquei no Amigos do Fórum um dos artigos que mais me orgulho em ter escrito, ou melhor, colaborado, já que o principal conteúdo não foi escrito por mim. O texto “No “Dia do Orgulho Nerd”, mulheres expõem o lado tóxico dessa comunidade” deu voz a mulheres que sofrem com o machismo e discriminação de uma comunidade que em tese deveria ser aquela que mais pratica empatia. Modéstia a parte, o conteúdo era rico e deveria levar o leitor a uma pequena reflexão. Mas adivinha qual tópico foi o mais debatido? Um dado mostrando que mulheres jogam mais videogames que homens.

Esse tipo de afetação é só mais um entre os vários exemplos mostrando que o nerd (ou aquele que se diz nerd, se bem que esse termo perdeu o sentindo há alguns anos) está mais preocupado em se auto afirmar e seguir seu eterno culto a ícones da infância do que racionalizar sobre aquilo que consome. Pra ele é mais importante ser o macho alpha dos games do que dar ouvidos a mulheres que simplesmente precisam esconder quem são para poder jogar uma partida online.

É uma eterna punheta de si mesmo, se cercando de símbolos que de tanto serem repetidos acabam perdendo o sentido. O nerd de 2018 assiste Star Wars só pelo “entretenimento” e caso alguém tente explorar a obra por um viés mais sério, essa comunidade que diz amar os filmes quase entra em colapso, em surtos que expõe uma fragilidade emocional quase infantil. Casos recentes como o reboot do Thundercats são alguns dos exemplos que mobiliza o debate “nerd”.

Além disso, questões como a diversidade ainda são vistos como “lacração”, acompanhado com uma vigilância simplória. Por exemplo, se um novo filme do Scooby Doo não sexualiza uma de suas personagens é porque se “rendeu ao politicamente correto” e outros absurdos que são ditos diariamente.

Mas aquilo que talvez seja o maior erro da comunidade nerd, é não saber mais seu lugar na cultura pop e não entender como ela funciona. Mas isso é fácil de explicar. Como deixam de lado as mensagens que essas obras carregam e focam apenas na tal da “diversão”, o homem adulto ainda se vê como público alvo de um live action de Jovens Titãs, quando está mais do que claro que a indústria foca seus esforços em atrair um público adolescente. É a mesma coisa que um pai cobrar coerência de roteiro em um desenho da Galinha Pintadinha.

É justamente esse deslocamento que causa a indignação do nerd adulto, que não consegue se abrir para novidades e vive em uma eterna bolha do passado. Ele se sente traído, sendo que nunca ninguém lhe foi fiel.

Dia da Toalha, Dia do Orgulho Nerd, dia de qualquer coisa. Não adianta exaltar sua cultura nesse dia se no resto do ano você a torna tóxica.

Seja doador e ajude o Amigos do Fórum a seguir crescendo!
Posts Relacionados
  • 26/12/2017

  • Luide

Que em 2018 você possa superar que Pabllo Vittar faz sucesso

  • 21/12/2017

  • Luide

Quando os filmes de Natal se tornaram tristes

  • 12/12/2017

  • Luide

Não, a nossa geração não é melhor que a “geração Nutella”