Guerra Fria e família no foco de The Americans

Uma mistura excelente entre Guerra Fria e dramas familiares

Luide
Luide
23 de agosto de 2016

Conflitos indiretos, uma verdadeira batalha estratégica e propagandista, a Guerra Fria se estendeu por quase meio século, abrangendo o final da Segunda Guerra Mundial (1945) até a extinção da União Soviética (1991). Um período que moldou não apenas os países protagonistas, mas basicamente toda nossa sociedade, retratados pela cultura popular em filmes, seriados, novelas, músicas etc, etc etc.

The Americans do FX (com três temporadas disponíveis na Netflix do Brasil) vem mostrar um pouco dos bastidores dessa guerra, com elementos de espionagem que dão a série ares de tensão como poucas. É um sentimento constante de que algo está prestes a acontecer com o casal Phillip e Elizabeth, membros da KGB atuando em solo americano. Infiltrados há 15 anos, com um disfarce que a tv moderna adora: a família suborbana americana.

The Americans Parte 1: a família americana, seus conflitos, o peso do trabalho

O interessante de The Americans é, como qualquer bom drama, misturar elementos cotidianos ao tema central. Assim, todo o lance envolvendo a paranoia da Guerra Civil, com grampos,  recrutamentos, sequestros e tudo mais, acaba ficando em segundo plano. No primeiro vamos acompanhar o desenrolar de um família comum (pai, mãe e dois filhos), onde pra variar, o peso trabalho exerce força sobre ela.

Aqui temos um detalhe interessante. O casal de protagonista (aliás, dois ótimos atores que finalmente foram reconhecidos pelo Emmy) vieram da Rússia e não passam de soldados destinados para uma missão. Mas ao invés de portar rifles e ir para as trincheiras, PhilipElizabeth são da KGB, o serviço secreto russo, operando em solo americano. Para isso o disfarce mais perfeito é necessário. A família, a vida rotineira, o trabalho, tudo não passa disso, um disfarce.

Com um bom drama em mãos, a série também aposta (e acerta em cheio) nesse jogo de espiões que foi a Guerra Fria, com os conflitos diretos e indiretos do FBI e a KGB. É incrível ter uma visão inversa do que foi esse período, afinal, nós ocidentais sempre assistimos tudo pela ótica dos americanos capitalista, como seria então pela Rússia socialista? E The Americans não faz joguinho com o espectador, a todo momento deixa claro as motivações de seus protagonistas e até onde eles vão para conseguir o que querem.

The Americans Parte 2: espionagem, Guerra Fria, KGB, FBI

Esse lance do anti-herói não pode ser aplicado aqui, já que o casal é inimigo direto dos EUA e tido como heróis na URSS. Sem regras morais para defini-los como mocinhos ou vilões. The Americans valoriza bastante seus protagonistas e é divertido ver até onde os atores podem chegar nessa brincadeira de disfarce, não apenas no físico, mas nas maneiras de se comunicar e se portar.

É uma ótima e indispensável série para fãs de thrillers de espionagens, uma joia da TV.

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