Fyre Festival: o que um influenciador pode fazer por você hoje?

Mentir? Talvez.

Luide
Luide
28 de janeiro de 2019

O instagram é uma rede social fantástica, mas é preciso um certo cinismo e desapego com a realidade para aproveitar o que existe de melhor por lá. Entender que ali é uma espécie de reality show roteirizado, onde o fingimento constante é parte da graça. Até porque essa ideia de ser “verdadeiro” na internet é coisa de adolescente afetado. Você realmente espera ver foto de um casal discutindo ou alguém na fila do SPC? Óbvio que preferimos casais em lua de mel em alguma praia paradisíaca e em restaurantes que jamais colocaremos os pés.

E toda mentira criou um mercado milionário. Os “influenciadores” se transformaram em um farol em meio a tempestade: você precisa que eles te guiem para o caminho da salvação. São eles quem irão indicar o melhor shampoo para o seu cabelo e também a forma correta de amar seus filhos. Afinal de contas eles possuem milhões de seguidores e ninguém com o selo de verificado iria mentir pra você #ad.

No fundo, é mais ou menos disso que se trata o excelente documentário Fyre Festival: mentiras, mentiras e mais mentiras. A história é a seguinte: em 2017 um startapeiro (empreendedor que não empreende nada) resolveu investir em um festival inovador, em uma ilha particular nas Bahamas, com vários artistas e uma proposta de “experiência única”, coisa que gente que vive em um vazio existencial adora ouvir.

Os ingressos obviamente eram caríssimos e a estratégia para fisgar esses eternos adolescentes mentais foi a mais contemporânea possível: pegar diversos influencers, levá-los ao lugar do festival e criar uma fantasia de que era isso que você teria caso desembolsasse o preço do ingresso. Depois, em uma ação paga coordenada, os influencers postaram em seus perfis do instagram o que estava por vir. Funcionou. Foi viral. Agora era só esperar pelo Fyre Festival.

Bom, é aí que a desgraça começa. Como bom startapeiroBilly McFarland, o criador, não tinha a menor ideia do que estava fazendo e muito menos controle sobre a situação. O caos tomou conta e absolutamente nada foi programado para receber os 6 mil desesperados que estariam na ilha no dia do evento. Ao desembarcarem para o tão sonhado fim de semana mágico, para a “experiência de suas vidas”, a galera se deparou com o nada. O sonho do instagram virou um pesadelo da deep web. Baita influenciada que eles receberam…

O documentário disponível na Netflix é um belo exemplo de como nós enlouquecemos e no fim das contas, quem paga a conta dos caprichos dos farsantes é sempre a classe trabalhadora (moradores da ilha que trabalharam para o festival e não receberam). Mesmo sem festival, a ressaca veio como sempre vem: frustração e mais frustração. Tentar emular o instagram não é uma boa ideia ao menos que você abrace a mentira.

Mas no fundo quem vai saber que você aplica filtros naquela foto maravilhosa enquanto engole o choro? Deixa rolar.

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