Filme de Breaking Bad é aquilo, né: pode ser bom, mas precisava?

Problematizando o que ainda não estreou.

Luide
Luide
27 de agosto de 2019

Cabe ao espetador decidir o que acontece a Jesse“. Palavras do próprio Vince Gilligan em 2013, pouco depois do final de Breaking Bad, sobre o que teria acontecido ao personagem. Os argumentos para mostrar ao leitor que um filme sobre a série é completamente inútil deveriam acabar por aqui, já como está mais do que claro, ao desenhar toda a história de Breaking Bad, Gilligan e seu time de roteiristas chegaram a conclusão que esse final “aberto” era o mais lógico possível.

Walter morre no único ambiente onde se sentia verdadeiramente livre e Jesse simplesmente desaparece como um cachorro que acabou de sair da coleira. Ninguém precisava saber o que aconteceu depois disso e foi isso que Gilligan entregou. Mas se dar por satisfeito é algo que nós não aprendemos a lidar quando se fala de cultura pop, e essa enxurrada de remakes, reboots e o fenômeno Disney de live action provam isso. Por que você precisa de um novo Rei Leão? Que apego absurdo e quase doentio é esse a ícones culturais?

No caso de Breaking Bad não estamos falando sobre uma obra que flertou com possíveis continuações ou sequências. Bom, o protagonista, o personagem responsável por dar os rumos da série, MORREU. Mas Vince Gilligan percebeu que estava diante de algo mágico e irresistível: uma franquia. Better Call Saul foi só o começo e serviu para mostrar um pequeno problema.

É uma série regular, com momentos espetaculares seguidos de outros de puro marasmo. Ela se prende no incrível talento de Bob Odenkirk e por revistar determinados ícones de uma obra prima da televisão (no caso, Breakig Bad). Mas temporada após temporada, mais aumenta a sensação de estarmos diante de algo que já deveria ter acabado. É boa? É. Precisávamos dela? Já sou do time que acredita que não. Mas então veio a ideia de filme…

O que aconteceu entre 2013 e 2019 que fez Gilligan mudar de ideia? Provavelmente a torneira de dinheiro da Netflix que há alguns anos está jorrando de forma interrupta. Pra se ter uma ideia da estratégia do serviço de streamingEl Camino estreia no dia que o Disney+ chega aos lares americanos (ou pelo menos dos americanos que assinarem). É um contra-ataque usando o sentimento do fã apegado eternamente a todo que for vinculado a obra original.

O trailer tem nosso velho conhecido Skinny Pete em depoimento para polícia. Com roteiro e direção do próprio Gilligan, é difícil acreditar que será um péssimo filme. Aliás, é difícil acreditar que o fã de Breaking Bad não irá sentir aquela boa memória nostálgica e portanto rasgar elogios (e eu me incluo nessa). Concordo com o argumento “é só não ver”. Ele faz total sentido no que tange o momento, mas no longo prazo, é possível que criativos e criadores cada vez mais dediquem seu tempo a produzir para demandas vindas de algoritmos ou sob encomendas (não que isso nunca existiu).

Vince Gilligan é um sujeito incrível e com um talento formidável. Espero que ele também pratique o desapego e produza algo novo e inédito.

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