Falaram mal da minha série favorita. E agora?

Quando você descobre que seu gosto não é uma regra.

Luide
Luide
1 de fevereiro de 2018

Sempre ressaltei em dezenas de textos nesse site a importância da experiência pós-créditos em séries. Não, não estou falando de algum personagem da Marvel surgindo no final provando que tudo faz parte de um universo compartilhado. Falo a respeito do que acontece depois que terminamos um episódio: a conversa, o debate, a curiosidade de saber mais do que viu, de entender melhor.

E pra isso vamos atrás de textos, resenhas e críticas. Vemos informações sobre quem dirigiu, escreveu. Bolamos teorias, tentamos imaginar como as coisas vão se desenrolar daqui pra frente. Conversamos com amigos. Xingamos nas redes sociais quando é algo decepcionante.

Isso tudo é parte da cultura de assistir séries. Imagine a tensão do fã de LOST assim que algum episódio explosivo acabava. Ou as expectativas de um fã de Game Of Thrones depois que o Ned perdeu a cabeça. Essa vontade falar a respeito daquilo que gosta é fundamental para disseminar séries e fazer com que mais pessoas assistam. É justamente pra isso que existe o Amigos do Fórum. É o meio mais fácil e bem resolvido que encontrei para falar daquilo que gosto.

Acontece que a palavra “fã” carrega alguns pontos negativos. Recentemente o caso de alguns “fãs da DC” estarem promovendo um boicote ao filme do Pantera Negra expôs esse lado tóxico. Como se filmes, séries, quadrinhos ou cultura pop em geral fosse uma guerra ou simplesmente uma fórmula matemática de certo ou errado. Mas não é. Cada um absorve o que quer daquilo que consome, é justamente essa a magia. Essa é a maior riqueza.

Tudo bem se você não entende nada de roteiro, direção, montagem. Também não entendo. E isso nunca irá me impedir de dizer que gosto ou não de alguma coisa. É sempre empolgante ouvir de quem entende desses aspectos técnicos que compõe a arte, mas também é emocionante ver que até um garotinho pode pular da cadeira assistindo um filme que ele não entende direito. No fim das contas é isso que importa. A mensagem e o aprendizado.

Só que com o amor vem o apego, e com o apego vem o sentimento de posse. Nos achamos donos daquilo que amamos e isso gera um comportamento agressivo, de proteção. Assim como uma mãe sempre irá proteger seus filhos por mais que eles estejam errados, o fã se acha na missão de defender suas obras favoritas custe o que custar. Não importa se a qualidade caiu ou se simplesmente é um produto medíocre. E é nesse aspecto que o debate sobre experiências se torna um debate sobre certo ou errado. Se alguém não gostou de Breaking Bad, a série da minha vida, como devo agir?

É frustante quando alguém diz que alguma série que considero incrível é literalmente “uma bosta”. Acontece o tempo todo. Com Twin Peaks, série mais recomendada por esse site em 2017, acontece o tempo todo. Dói ler pessoas dizendo que a série considerada por mim a melhor de 2017 é ruim. Dói não porque me sinto ofendido, mas porque gostaria que aquela pessoa sentisse o mesmo que eu. É por isso que dói. É porque que ficamos tão frustrados quando nossas boas experiências são ruins para os demais.

Se zangar é comum, tá tudo bem. E lembre-se: você também pode gostar de algo que ninguém gosta.

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