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Eu queria ter tido a oportunidade de jogar Pokémon Go na minha infância

Por Luide
16 de agosto de 2016

Você acorda e confere as mensagens de todos os grupos de whatsapp antes mesmo de sair da cama. Vai pra sala e liga a TV antes mesmo de tomar um café. Passa o dia ouvindo música no spotify. Ri dos vídeos do youtube. Passa horas no facebook. Não perde uma novela, telejornal. Usa aplicativos como Google Maps e Uber. Nem se lembra da última vez que ficou 24hrs sem algum aparelho conectado a internet. Mas claro, o problema é Pokémon Go.

É engraçado como ainda temos medo da tecnologia, mesmo sendo completamente dependentes dela. Essa confusão é simples: somos a última geração que viveu com e sem internet, a próxima não saberá mais como era a sociedade desconectada. Então frases prontas como “na minha época era bom, as crianças brincavam na rua” estão com os dias contados. Minha filha, por exemplo, não saberá o que é viver sem internet, smartphones, redes sociais etc

E enquanto alguns se assustam com a febre de Pokémon Go (que assim como toda febre, tem seu pico de temperatura e logo começa a cair), eu sinto inveja. Inveja de quem hoje é criança e pode sair por aí com os amigos caçando Pokémon. Nada me impede de fazer o mesmo, a não ser o trabalho, as responsabilidades, as contas, filhos, casa… Por mais que seja incrível capturar um Pikachu no alto dos meus 29 anos, deve ser ainda melhor fazer o mesmo com 10, 11, 12 anos.

Fui um garoto do interior que sonhava em ter acesso a revistas e brinquedos de Pokémon. Em 1999 nada chegava na pequena cidade de Salto do Itararé, interior do Paraná, hoje com 3 mil habitantes. A mim só restava o desenho animado que passava na Record e babar nas propagandas dos brinquedos legais. Lembro como se fosse hoje do meu desespero quando surgiu os primeiros brinquedos dos pokémons. Cara, eu sonhava em ter aquilo.

Ser criança é encontrar magia onde o homem vê lucro. Nós não nos importamos com capitalismo e essas bobagens, nós queremos apena brincar e imaginar. Tanto faz se o desenho foi feito pra vender o game, nós adorávamos cantar o rap pokémon todo fim de episódio. E hoje ver o quanto a tecnologia possibilita que até mesmo crianças do interior tenham acesso a mesma diversão que as da cidade grande, poxa, isso é muito bacana. Como odiar tecnologia?

É claro que existe muita desigualdade social, mas o acesso a um celular e computador hoje nem se compara ao da minha época. Na real, eram caros até para gente rica. Hoje é mais democrático, a tecnologia não é apenas para um grupo restrito. Ok, você não pode comprar um iPhone ou Galaxy? Tem outras opções. E com um pouco de crédito da pra sair por aí, brincando, se divertindo.

Toda vez que abro o app lembro da minha infância. Como eu queria poder trazer o Luide de 12 anos pra 2016 por apenas um dia, pra ele ver que bacana é pode CAÇAR POKÉMON e até onde chegou a tecnologia. Hoje não tenho tanta disposição assim, no começo foi bastante legal, mas vai esfriando com o tempo. Ser adulto tem dessas chatices.

Viva a tecnologia. Viva Pokémon Go!