Em Jesus Is King, Kanye West está desesperado para contar o que descobriu

Pode fazer rap sobre qualquer coisa, menos sobre Jesus?

Luide
Luide
28 de outubro de 2019

Kanye West quer renascer. Quer ser salvo. E a forma dele expressar esse desejo é fazendo o que sabe de melhor: música. Jesus Is King é um álbum gospel. Ponto. Não é um tema que se repete muito menos um golpe de marketing. É uma obra gospel, de um artista que procura redenção, que quer se encontrar com Deus e está desesperado para falar sobre isso. Jesus Is King não é um só flerte com a religião, não é uma provocação.

Jesus Is King é um álbum de louvor. É uma obra artística que carrega a vontade de seu criador. É assim que as melhores coisas acontecem: quando o autor pouco se importa como o público irá absorver. Ele cria. E sua criação não da satisfação pra ninguém. E ninguém melhor que Kanye West para mostrar essa vontade de se guiar pela própria natureza criativa.

Ele poderia voltar pedindo desculpas para toda a internet. Poderia reequilibrar sua carreira após ter sido “cancelado”. Mas não. Ele volta falando de Fé. De Deus. De família. Ele volta pra mostrar que não se curva. Que não se importa com esse “plano terrestre”. E volta com Jesus Is King. É difícil pensar em alguém mais versátil, que consiga extrair algo tão poderoso e belo de um tema que ninguém aqui poderia esperar muita coisa. Não que a fé não seja poderosa e bela, longe disso, mas ninguém vai a missa esperando ouvir um música que te faça dizer “wow“. Kanye West fez isso.

Nunca é tarde pra se arrepender, já dizia o livro que inspirou esse novo trabalho. E ye parece eufórico com esse arrependimento. Não apenas por estar há meses “pregando” por todos os EUA com o Sunday Service, mas também em suas entrevistas, onde foca de forma exaustiva em duas coisas primordiais: Deus e família. São palavras que no Brasil de 2019 ganharam contornos estranhos nas mãos de gente mal intencionada, mas o fato é que esses dois pilares acompanham a sociedade ocidental há séculos.

ye parece que descobriu isso agora e quer compensar o tempo perdido. Quer que sua base de fãs, que consomem não apenas sua música, mas também seus produtos (roupas e tênis), ouçam a todo custo a palavra de Deus. E ele transforma essa vontade em um álbum lindo, lindo mesmo. Digno de trabalhos anteriores, mas ainda muito além do que se poderia imaginar.

No meio de tanta gente histérica e debochada com a fé em algo maior, surge Jesus Is King. No meio de tanto fanatismo e intimidação usando da fé em algo maior, surge Jesus Is King. Quem diria que falar sobre isso seria tão revolucionário em 2019? Ma não ache que Kanye mudou tanto assim. Ele é o cara que lá atrás te questionou: pode fazer rap sobre qualquer coisa, menos sobre Jesus?

Agora aguenta. Aleluia.

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