Editar piada homofóbica em Chapolin é um erro bobo cometido pelo Multishow

Episódio de 1973 ganhou nova dublagem.

Luide
Luide
28 de maio de 2018

Quando os Novos Trapalhões foi anunciado, muita gente se mostrou preocupadíssima com o tom do humor que seria usado nessa espécie de remake do grupo. O argumento principal era que “antigamente ninguém se ofendia” com piadas de cunho racista, homofóbico e machista, mas hoje em dia “tudo é mimimi” e o politicamente correto mataria os Trapalhões. Bom, o primeiro erro é cravar que ninguém se ofendia, e o segundo é acreditar que a única forma de se fazer rir é seguir propagando preconceitos.

Mas sempre que esse revisionismo de obras da cultura pop feitas há 20, 30, 40 anos acontece, as pessoas perdem a capacidade de racionalizar sobre o contexto. Os Trapalhões foi fruto de sua época e é claro que muitas questões que hoje são pautas nem se quer eram cogitadas quando esses humorísticos do gênero foram ao ar. Hoje em dia é quase impensável fazer humor se utilizando de piadas racistas e não levar uma enxurrada de críticas e denúncias.

Há cerca de uma semana, o humorista Rudy Landucci apareceu em um programa esportivo fazendo uso de black face. Em pleno 2018 é inadmissível que esse tipo de coisa siga sendo feito, já que não da mais pra se fingir ignorante a respeito do tema. Não é “patrulha”, é cobrar um mínimo de responsabilidade sobre tudo aquilo que se tem alcance nacional, seja no humor, drama ou reality shows. Enquanto você ri, existem pessoas sofrendo do outro lado.

Então chegamos a mais recente polêmica envolvendo a estreia de Chapolin no Multishow. O episódio O Descobrimento da Tribo Perdida foi ao ar originalmente em 1973 e foi reprisado agora no canal a cabo. Acontece que houve uma mudança na dublagem: na versão original, a personagem de Maria Antonieta De Las Nieves diz: “era melhor ter chamado o Batman em vez do Chapolin”, o herói então responde que o Batman não apareceu pois estava em Lua de Mel com o Robin. A resposta foi editada para “o pneu do Batmóvel está furado“. A intenção do canal foi cortar uma piada homofóbica. De um seriado filmado há 40 anos.

Episódio “O descobrimento da tribo perdida” foi ao ar em 1973. É o terceiro episódio da série.

É algo que não faz sentido já que censurar uma piada tão boba é simplesmente desviar o foco do que é importante. Chapolin é fruto de sua época, uma obra que já teve seu fim. É história. Não cabe olhar para esse produto e exigir determinadas condutas. A energia deve ser gasta em cobrar que novas séries, filmes, novelas e etc tenham noção da sua responsabilidade e façam as mudanças necessárias. Um exemplo recente, que também causou alvoroço nas redes sociais, é o novo filme do Scooby Doo que optou por não sexualizar a personagem Velma. É assim que as coisas deveriam ser.

Como pai, caso fosse apresentar Chapolin para minha filha, iria explicar o porque de uma piada assim ser feita: na década de 60 e 70 essa insinuação sobre a sexualidade do Batman era comum graças a famosa série de TV. Hoje em dia essa piada não faz nem sentido. Mas mexer no que está feito é simplesmente ridículo pois não surte efeito algum, pior, faz apenas que aqueles que gritam “o politicamente correto está matando o humor” tenham ainda mais munição para seguir acreditando nisso.

 

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