E tem gente que não vai assistir a Game Of Thrones…

A Rainha dos Sete Reinos.

Luide
Luide
1 de abril de 2019

Pouco antes do feriado de Páscoa em 2018, fui até a rua 25 de Março em São Paulo para buscar uma encomenda da minha irmã que mora no interior (sabe com é, mais barato e etc). Ao chegar no tão prestigiado polo comercial da cidade, percebi que uma certa série espanhola há muito havia saído das conversas de “série maníacos” e chego até o popular: não importava a barraca ou loja, alguma referência a La Casa de Papel era vista. Fantasias e mais fantasias espalhadas por todo canto. As máscaras? A perder de vista. Naquela altura a música “Só Que Vrau” ainda não tinha sido lançada, mas iria coroar todo o clamor com a série da Netflix.

É difícil uma produção ganhar essas proporções. Sair dos trending topics do twitter, dos vídeos explicados do youtube e dos memes do facebook. Ir pra rua, virar pauta da hora do cafézinho da firma ou debate no intervalo da aula. Até a minha mãe assistiu La Casa de Papel. Sim, é sério, não estou dizendo isso pra forçar um argumento. Ela viu La Casa de Papel e também fiquei surpreso. Mas o fato que esse mês de abril de 2019 marca o último retorno de uma obra que, essa sim, consegue ser ainda maior que os assaltantes de banco. Trata-se de Game Of Thrones.

O tamanho que a série da HBO atingiu é algo inédito. A televisão sempre produziu obras que acabavam de um jeito ou de outro se tornando um fenômeno inexplicável. Tem aquela história de que Mikhail Gorbachev perguntou a George Bush quem matou Laura Palmer porque ele não aguentava mais a demora de Twin Peaks em mostrar o assassino. Ou dos milhares de assinantes da HBO ligando desesperados pra emissora no final de Sopranos. Mas não precisamos ir tão longe: basta lembrar do final de LOST.

O fato é que todas essas séries, por mais que tenham quebrado algumas barreiras e se tornado fenômenos únicos, nada se compara ao que Game Of Thrones vem fazendo. Aqui a HBO atingiu um patamar de blockbuster de cinema, nivela com os grandes. Não há um único fã de cultura pop que não esteja pronto para assistir ou fingir que não assiste. Todos sabem do que se trata e há muito tempo os Sete Reinos se tornaram um fenômeno pop legítimo, com pessoas se programando para sentar na frente da televisão tal qual seus pais neandertais faziam na época da novela.

Essa foto me lembrou do quão poderoso pode ser um produto cultural. Talvez a tia não sabia do que se trata Game Of Thrones, mas o fato de que pessoas estão esperando por quase duas horas para tirar uma foto no Trono de Ferro no Ceará, me deixa muito satisfeito em ter escolhido essa cultura pra amar. A temporada final de Game Of Thrones é um evento tão grandioso quanto Vingadores: Ultimato e não sou eu quem irá ficar de fora.

Que incrível.

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