E se você tivesse que provar que não é um homem fácil?

Filme disponível na Netflix imagina um mundo dominado por mulheres.

Luide
Luide
26 de julho de 2018

É difícil entender até que ponto nossas ações são frutos de uma condição pré-estabelecida antes mesmo de darmos os primeiros passos. O que realmente é algo instintivo, parte de uma evolução ou até mesmo inconsciente e aquilo que aprendemos e é imposto desde sempre, até o ponto que passamos a não questionar mais se aquilo é correto. Como pai de uma menina me preocupei com isso desde o cedo, afinal de contas, será que estou impondo a ela uma norma social antes mesmo dela ter consciência disso? Tipo uma cor de roupa? Limitar seu acesso a brinquedos? (“só pode boneca”).

Mas o mesmo raciocínio se aplica a mim. Questionei e questiono o papel do pai na criação dos filhos o tempo todo para que eu mesmo não caia na armadilha do “pai ajudante”. Questiono meu papel como marido e meu papel como homem. Até que ponto minhas atitudes não são reflexo de um comportamento padrão do masculino? Assistindo ao filme francês Eu Não Sou Um Homem Fácil percebi o quanto estou longe de entender esse comportamento como um todo.

O filme disponível na Netflix imagina o seguinte cenário: um mundo femista, onde mulheres estão em uma posição privilegiada e homens são tratados como inferiores. Ali elas estão no topo da cadeia: tem os melhores trabalhos, os melhores salários, dominam a política e a cultura, não se preocupam com assédio (elas são as assediadoras). Já os homens precisam usar roupas curtas e desconfortáveis para chamar a atenção, se depilam de forma estratégica e estão condicionados a empregos sem muito destaque social.

Esse cenário apocalíptico para muitos que aqui estão lendo acontece quando o protagonista, um homem de sucesso e extremamente machista, bate sua cabeça em um poste e acorda nesse mundo femista. Ali ele irá confrontar seus próprios privilégios através de outra perspectiva. O filme possui uma forte veia cômica e isso ajuda a expor ainda mais o ridículo da coisa: há uma cena de sexo que mostra exatamente a visão distorcida que muitos cultivam do ato graças à pornografia.

E tem mais. Nesse mundo dominado por mulheres, homens lutam pelos seus direitos e quando o fazem, são chamados de reclamões, mimizentos e que deveriam estar lavando a louça. Há situações embaraçosas e desconfortantes e isso é parte da ideia: mostrar as situações embaraçosas e desconfortantes que muitas mulheres vivem diariamente.

Eu Não Sou Um Homem Fácil se torna mais do que uma comédia e a inversão de papéis é interessante e pode te ajudar a repensar alguns valores. Não é pra virar um feministo (ou o chamado “esquerdomacho”), mas simplesmente pensar se suas ações são ou não robotizadas.

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