E se uma criança quiser brincar com seus action figures?

Esqueça quem está certo ou errado, e vamos olhar para a criança.

Luide
Luide
18 de julho de 2017

Um hábito que perdi desde que minha filha nasceu foi o de criticar pais e mães a respeito da forma que eles escolhem educar seus filhos. Vai colocar a criança em uma dieta vegetariana? Ok. Vai dar açúcar pra ela desde os 6 meses? Tudo bem. Dentro da minha casa sei das dificuldades e malabarismos que precisamos fazer para criar um ser humano, portanto, a última coisa que preciso nesse momento é olhar pela janela e ver como outras pessoas estão criando seus filhos.

Outro dia no shopping vi uma garotinha chorando aos berros enquanto a mãe tentava acalma-la. Olhares tortos de muitas pessoas. Eu só conseguia pensar na mãe, afinal, não deveria ser nada grave, era só uma questão de conversa. E assim foi. A garotinha parou de chorar, e a mãe nitidamente envergonhada continuou seu passeio. De repente, uma criança que chora passou a ser algo anormal. Uma criança que faz manha certamente deve ser um monstro. E se fizer uma birra então, nossa, os pais falharam como seres humanos.

Essa semana alguém divulgou uma conversa particular com uma mãe na internet, provavelmente para ensinar alguma lição de moral de “como tratar maus pais“, mas os prints viralizaram e se tornaram alvo de discussões sobre limites, tanto para crianças quanto para adultos.

Como pai, minha primeira reação é esperar que adultos se comportem como adultos. Não existe nada de errado com uma criança curiosa. Se minha filha estivesse na casa de alguém, e pedisse pra brincar com algo que não pode, a primeira ação deverá ser de explicar porque ela não deve mexer naquilo. O não é parte da vida, e não importa se a pessoa tem 30 anos ou 2. “Ah, mas e se ela chorar?“. Bom, o não segue valendo. “E se ela fizer birra?“. O não ainda está valendo.

Quer dizer então que ela é mimada? Nunca. Mesmo com muita disciplina, crianças continuam sendo crianças, e não existe um botão liga/desliga que faz com que elas não reajam a sua maneira, mas isso não significa que os pais devam ceder. É óbvio que não. E é isso que me incomoda enquanto pai: adultos cobrando de crianças um comportamento que muitas vezes é impossível. É dai que nasce essa intolerância a bebês que ousam chorar dentro de aviões, a “proibir” que pais levem seus filhos a restaurantes e cinema. De repente, por alguém que não soube controlar o choro de seu filho, todas as crianças e pais do mundo ficam estigmatizadas.

Movimentos como o “children free“, que se apropriam de uma decisão normal de adultos que não desejam ter filhos, só ajudam a espalhar uma intolerância desnecessária. Crianças são assim: choram, se jogam no chão, ou então são super tranquilas. Não existe um padrão, elas não saem de uma forma de bolo. Nosso dever enquanto pais é se esforçar para criar adultos saudáveis que saibam ouvir um não, que se frustrem e ainda assim possam seguir em frente, e não sejam acostumados a ter tudo acessível.

A minha geração é aquela que faz escândalo na internet quando a Marvel muda etnia ou gênero de um personagem. O mínimo que espero de vocês é um pouco mais de compreensão quando ouvir uma criança chorando.

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