É nosso dever se levantar contra o caso do Pânico na CCXP

A comunidade fãs de cultura pop tem o DEVER de ser a que mais pratica empatia

Luide
Luide
8 de dezembro de 2015
 

Jovens bilionários criadores de aplicativos e redes sociais, super heróis arrecadando bilhões nos cinemas, The Walking Dead batendo em audiência tv aberta no Brasil. O “nerd” não é mais visto com a mesma maneira pejorativa de 20 anos atrás. Pelo contrário, suas paixões agora estão populares, muita gente sabe quem é o Jon Snow e tem um Batman favorito nos cinemas. Gostar de filme, série, quadrinhos não é mais uma coisa restrita a um determinado grupo, é pra todo mundo.

Então cabe a esse “nerd“, “geek” ou seja lá o nome que você prefira usar, acolher bem a todos que estão chegando e compartilham de seus gostos. Cabe a ele que antes era visto como o estranho, o chato e o digno de pena sentir empatia pelo próximo. Se levantar perante uma injustiça, sentir apreço pela diversidade, entender a dor do próximo.

O que aconteceu na Comic Con Experience foi algo que ao mesmo tempo causa indignação, mas também um certo alívio de ver essa comunidade que me sinto parte completamente solidária a garota assediada. O que os “repórteres” do Pânico fizeram não é algo que deva ser deixado pra lá, que mereça panos quentes. É algo que merece toda nossa atenção e reflexão, afinal, não é a primeira vez que isso acontece.

A Comic Con Experience é o evento onde mais me sinto a vontade e incluído. Babar perante um action figure e saber que ninguém ali irá te julgar é um sentimento bom. Ver pessoas fazendo fila pra tirar uma foto com o cosplay de Dath Vader e achar aquilo completamente normal. Olhar um marmanjo de 40 anos chorando ao ver Frank Miller e também ficar com os olhos cheios de lágrimas. Ali, naquele ambiente, nós somos um só, pessoas que tem ídolos que só existem em quadrinhos ou cinema. Ali todo mundo tem ciência que NÃO, não é “só um filme” ou “só um anime”. É muito, muito mais do que isso.

E é esse entendimento que deveria nos fazer respeitar ao máximo quando uma pessoa resolve se vestir igual ao seu personagem favorito. É entender que aquilo não é um convite, se a garota usa um cosplay de Morrigan os motivos só cabem a ela. Isso não significa que você tem o direito de tocá-la, de assediá-la, de lambe-la.

Leia também: Nota de repúdio ao programa Pânico na Band

O que aconteceu na CCXP não foi um “momento de calor”. O pensamento de que se a garota estava usando aquela roupa e “pintada de verde”, é porque queria ser lambida, tocada e ouvir coisas como “não tinha louça pra lavar não?” é modo operandis pra alguns. Se dentro do próprio eventos muitos ainda insistem nessa linha de raciocínio, imagina para quem não tem conhecimento algum do que está acontecendo ali? Poxa, se a garota está usando um cosplay de Poderosa é porque é puta, não deve ter outra explicação né? Ela tipo é proibida de simplesmente QUERER fazer aquilo.

Mas isso é uma guerra minha, sua, de todo mundo. Nós devemos ser os primeiros a nos levantar contra esse tipo de coisa, nós devemos nos colocar no lugar do amigo ao lado e tentar entender o que ele sente.

Não, o mundo não está ficando chato porque nem todos riem mais de suas piadas. O mundo está cada vez melhor, mais livre, e se você tem o direito de fazer uma piada merda envolvendo mulher e louça suja, as pessoas tem o mesmo direito de se ofenderem. O humor não pode ser usado como desculpa para disseminar preconceito e ideias erradas. Você consegue imaginar George Carlin usando essas muletas pra fazer humor?

Não foi engraçado, não é engraçado e nunca será engraçado.
Essa guerra é nossa.

Seja assinante e ajude o Amigos do Fórum a seguir crescendo!
Posts Relacionados
  • 01/11/2018

  • Luide

Onde buscar conforto e renovação quando se teme o amanhã?

  • 16/10/2018

  • Luide

E dai que seu artista favorito não pensa como você?

  • 08/10/2018

  • Luide

Vamos rever aquele vídeo do Jonathan Pie sobre a eleição de Trump?