É muito bom ser pobre e assistir Billions

Aquele mundo que não nos pertence também é um ótimo entretenimento.

Luide
Luide
6 de agosto de 2018

Se você é parte dos 90% dos brasileiros que são classificados de “classe média” pra baixo, certamente vê a riqueza como uma utopia. A figura do rico chega a ser quase mística e você se pega pensando em como é a vida quando dinheiro não é mais um problema. Pare e pense no quão dependente nós somos dele. Não por uma questão de ganância, mas de existir e sermos vistos como parte de uma sociedade onde o consumo dita regras. Sem dinheiro não moramos, não comemos e não dormimos. É por isso que muitas vezes se imaginar nessa situação onde a abundância dele existe é praticamente uma fantasia como Game Of Thrones.

Mas os ricos existem. Os super ricos também. E Billions é uma série sobre esse 1% no topo do 1%: os bilionários cuja relação com dinheiro não é mais uma questão de sobrevivência, mas sim de poder. Até onde é possível chegar quando não existem barreiras e a riqueza praticamente distorce a lógica? Criada por Brian Koppelman e David Levien, Billions chega ao Brasil pela Netflix, que já tem suas três temporadas disponíveis. Originalmente é da Showtime, canal que no ano passado exibiu a já clássica terceira temporada de Twin Peaks e também foi casa de Dexter. Espera-se coisa boa, no mínimo.

E Billions é isso: uma série divertida e cheia de elementos deliciosos de acompanhar. Com uma montagem acelerada para emular o mercado financeiro e cheia de momentos onde o protagonista se revela alguém acima dos demais. Fórmula bastante usada na chamada Era de Ouro da TV e em séries procedurais: a genialidade do protagonista é posta à prova a todo instante e ele sempre encontra uma saída.

Quem recebe essa missão é Damian Lewis (o Brody de Homeland) que vive Bobby “Axe” Axelrod. Axe é o típico caso do sonho americano bem sucedido e se tornou um exemplo do capitalismo selvagem de Wall Street, e por isso chama a atenção de todo mundo. Dos mais simples, de outros ricos e claro, das autoridades. É possível chegar ao topo sem trapacear? Talvez. O interessante de Billions é essa energia que toma conta da história já que há uma cruzada entre o que é ou não moral nessa vida tão distante de nós.

E é claro que pra isso acontecer Axe precisava de um inimigo. E não estamos falando de adversários no jogo do poder, mas um inimigo mesmo. Alguém do outro lado: um representante do Estado. Esse papel cabe a Chuck (Paul Giamatti), um procurador da república que almeja o governo de Nova York. Ele precisa de boas vítimas e nada melhor que alguém com tamanha evidência quanto Axe.

Cria-se uma espécie de xadrez onde no primeiro erro alguém irá sofrer as consequências e com isso, uma tensão se instala em Billions. Você tenta se convencer que não existem mocinhos ou vilões nesse campo, mas fica difícil. É normal torcer para diferentes pessoas em diferentes momentos. Billions é uma série que joga no campo dos grandes clássicos, com vários personagens bem construídos, mas com tudo se afunilando em seus protagonistas.

Um jogo que para nós, meros dependentes do dinheiro, é divertido de se ver imaginando os próximos boletos a serem pagos.

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