É f#da quando você não se conecta mais com uma de suas séries favoritas

Infelizmente está difícil assistir Westworld.

Luide
Luide
5 de junho de 2018

Westworld é a melhor série de 2016” foi o que escrevi após o último episódio da primeira temporada. E não me arrependo. Jonathan Nolan e Lisa Joy criaram um labirinto dividido em 10 partes e convenceram o público a entrar nele. Porém, mais do que isso, Westworld estava disposta a ser uma ficção científica das boas, colocando o dilema homem x máquina acima de seus plots twists, fazendo assim com que cada diálogo fosse um show a parte. Os testes aplicados nos Anfitriões, as discussões entre Arnold e Ford, o despertar de Dolores… tudo foi muito bem orquestrado e era impossível sair de algum episódio sem praticar a boa e velha reflexão pós-créditos.

Tudo isso alinhado a excelente produção HBO fez de Westworld a mais promissora de todas as novas séries e mesmo que se encerrasse ali, tudo ficaria bem. Seria corajoso deixar que a história seguisse em nossa imaginação. Mas claro que um sucesso assim não se resumiria em apenas 10 capítulos e logo um segundo ano foi anunciado. E é aí que minha relação com Westworld começou a mudar.

A sensação que essa segunda temporada passa é de desespero. Uma tentativa atrás da outra de emular no espectador a mesma sensação do primeiro ano, quando diferentes linhas temporais bagunçavam a narrativa e criavam essa ansiedade pelo próximo episódio. Mas enquanto no primeiro ano isso não era a melhor coisa de Westworld, agora ela se torna seu principal atrativo. Aqui cada episódio tenta flertar com uma nova revelação que pode “mudar tudo”, desde Arnold olhando para o Além do Vale e dizendo que “fez tudo aquilo” a Dolores dizendo que lá “existe uma arma”. São essas frases vagas, porém de efeito, que buscam criar uma espécie de trunfo parar o roteiro: levar o espectador a especular o que de fato eles querem dizer com isso.

Mas tudo isso seria menor caso Westworld seguisse com seu debate filosófico a respeito do que nos torna humanos, sobre o que significa existir, a memória como parte fundamental do nosso entendimento enquanto seres existentes etc. Essas questões tornam-se repetitivas e Maeve é um exemplo claro dessa queda. A personagem parte em busca da filha, ok, faz sentido pela decisão que ela tomou lá no primeiro ano. Mas ao invés de explorar as consequências disso (ora, a “garota” nunca foi filha dela, não seria mais interessante lidar com isso?), Maeve acaba caindo em uma espécie de quest, sendo Shogun World o pior episódio em toda série. Show puro e nada mais.

Dolores precisa se portar como a grande revolucionária, mas Evan Rachel Wood se resume a caras e bocas. Enquanto na primeira temporada a atriz expressava toda dor da personagem apenas com olhares, aqui existe um certo exagero, como se estivesse fazendo marra pra sair diferente em uma foto pro instagram. Sem contar que toda sua jornada até essa metade da série é confusa e rasa. Um desperdício inacreditável de personagem.

Pra não dizer que Westworld se esqueceu de sua origem, ou seja, é uma ficção científica e não uma série de ação, o episódio The Riddle of the Sphinx é o destaque até aqui. William executando uma espécie de Teste de Turing em Delos é de longe o melhor momento da série nesse segundo ano. Claro, o retorno de Anthony Hopkins, mesmo que por alguns minutos, eleva o nível.

Detesto escrever uma linha sequer de crítica para uma série que pra mim vinha em uma crescente. Westworld mostra que nem sempre esticar uma história por melhor que ela seja é uma boa ideia. Saber a hora de parar é para homens sábios.

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