Documentário “Virunga” não é sobre gorilas, é sobre o melhor e pior do ser humano

Documentário é um dos indicados ao Oscar 2015

Luide
Luide
19 de fevereiro de 2015
 

O Parque Nacional de Virunga, situado na República Democrática do Congo, é o mais antigo parque nacional da África, sendo estabelecido em 1925. Entre as Montanhas Virunga, estão os últimos Gorilas da Montanha do mundo. Menos de 800 restam no local. Porém, a maldade e a ganância humana são uma ameaça constante a vida desses nossos ancestrais.

O sorriso de André, um dos cuidadores do parque, ao carregar uma gorila órfã. Seu amor e dedicação a essa espécie é tocante e linda. O melhor do ser humano

Em meio a uma guerra civil e recém descoberta de petróleo, o parque (patrimônio da humanidade) vive uma tensão nunca vista, já que é a única última barreira que impede que tudo seja pisado por homens que, diferentes dos nossos parentes das montanhas, tem como regras da vida o dinheiro e o poder.

Virunga“, documentário de 2014 distribuído pelo Netflix é um dos indicados ao Oscar. Apesar dos gorilas serem o assunto de início, o documentário se desenrola por diversos braços, mostrando como a situação naquele país é delicada, e em pleno século XXI, países ricos ainda enxergam a África como uma terra sem lei, onde com meia dúzia de espelhos eles podem fazer o que bem entenderem com a cultura local, a fauna e flora.

É triste e desconfortante acompanhar o desenrolar do documentário, que em alguns instantes parece filme hollywoodiano. Com mercenários, corrupção, líderes que se vendem, guerrilheiros que se pintam como salvadores e uma grande corporação internacional tentando a todo custo retirar o bem natural do local. Na mira deles, a provável reserva de petróleo descoberta na região do parque.

O que se vê desde então é uma sequência de atentados sem escrúpulos, como a chacina de sete gorilas em 2007 por uma guerrilha local, que segundo eles, sem os gorilas o parque não tem motivos para existir. O caminho então ficaria livre para a empresa petrolífica se assentar de vez. O que choca é que são os próprios cidadãos congoleses que cometerem tais atos, tudo movido pelo suborno dessa empresa, denunciado nesse documentário através de uma jovem jornalista inglesa. O Congo é um dos países mais pobres do mundo.

É cruel. É sangrento. É desumano até mesmo com esses seres.

Virunga” é um documentário que fere a alma, e nos leva a refletir um pouco sobre todo esse caos que o país enfrenta. De um lado, uma espécie se matando por um pedaço de papel que alguém definiu valor. Do outro, seres em uma luta brutal para sobreviver e ter sua casa preservada e viver ao lado de sua família.

Infelizmente nós, seres humanos, somos a espécie racional.

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