Vencedor do Oscar, “O.J.: Made In America” é maior que a história de um ex-atleta

Documentário é o grande favorito ao Oscar 2016

Luide
Luide
26 de janeiro de 2017

2016 foi o ano que Orenthal James Simpson voltou aos holofotes da mídia, dessa vez, não por algum crime (já que está preso desde 2008), mas sim por ser o protagonista de duas das melhores obras feitas para a televisão nesse ano. A primeira é The People v. O.J. Simpson: American Crime Story, série do FX que foi um sucesso de público, crítica e abocanhou todos os prêmios em que concorreu. A segunda, mas não menos importante, porém bem menos conhecida, é O.J.: Made In America, documentário de quase oito horas produzido pela ESPN, e que concorre ao Oscar 2017 na categoria.

Enquanto a série de Ryan Murphy foca no julgamento de O.J. Simpson, começando de cara com os assassinatos de Nicole Brown-Simpson e Ronald Goldman, O.J.: Made In America contextualiza esse momento durante mais de 3 horas, tudo para que o espectador entenda porque esse julgamento foi considerado o “Julgamento do Século” e o que de fato levou milhões de pessoas acompanharem o destino do ex-atleta e astro de cinema e comerciais. Porque um país ficou dividido? Porque a questão racial foi tão relevante?

Com 5 partes com cerca de uma hora e meia de duração, O.J.: Made In America começa cedo a construir seu argumento, para que no fim você encerre o quebra cabeças e entenda de vez qual história eles tentam contar: a história do racismo nos Estados Unidos.

Orenthal James Simpson, o jovem negro que encontrou nos esportes a chave para entrar em um mundo branco. O primeiro de sua cor a realizar inúmeros feitos, ainda muito jovem se tornou milionário e extremamente famoso. O documentário basicamente divide sua narrativa em duas, para que no momento certo, ambas passem a fluir juntas. A primeira é uma biografia de O.J.,  enquanto a outra cria o background de Los Angeles desde o nascimento do ídolo.

Como foram as migrações de negros para a Califórnia, a reação das autoridades, os abusos policiais e os eventos que antecipariam toda a comoção criada sobre o caso de O.J. Simpson. Em jogo não estava mais quem matou Nicole e Ronald, mas sim, o sistema americano contra os negros americanos. São horas e horas de fatos, entrevistas, documentos, imagens da época, argumentos e contra-argumentos. Nesse aspecto, O.J.: Made In America é um impecável. Expõe mais do que o necessário.

E se na série do FX o julgamento de O.J. Simpson muitas vezes parece ser uma grande encenação, é porque foi mesmo. Cada momento absurdo mostrado em American Crime Story se tornam ainda mais no documentário, já que por mais impossível que seja de se acreditar, foi tudo verdade. E mais: certos acontecimentos surreais ficaram de fora, como o fato de O.J. conseguir mais de 200 mil dólares semanais em autógrafos mesmo dentro da cadeia, e todo o esforço de marketing por trás disso.

É bizarro.

 O.J.: Made in America (2016)

A história de ascensão e queda de um homem que, como lembra um padre, era pra ser um grande ícone do negro americano, é construída de uma maneira que realmente te desconecta da realidade. Tudo parece fruto de uma mente fantasiosa, que criou cada diálogo e situação ali mostrados.

Ficou difícil para os outros concorrentes ao Oscar de Melhor Documentário, O.J.: Made In America é uma das coisas mais estranhas e incríveis que vi nos últimos meses.

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