A 13ª Emenda: documentário mostra a falência do sistema prisional americano

Ava DuVernay, de 'Selma', coloca o sistema prisional americano sobre a perspectiva da população negra

Luide
Luide
10 de outubro de 2016

Há algum tempo séries e filmes que se dedicam a contar como funciona o sistema jurídico e prisional são um sucesso de público e audiência. Existe um certo voyeurismo em olhar como tudo é por dentro, como as pessoas sobrevivem após terem sua liberdade tirada, ou simplesmente, acompanhar de perto como a máquina do estado atua para “proteger o cidadão de bem“. Punindo e protegendo. Lei e ordem.

Nos últimos anos, obras que se propõe a levantar um outro tipo de debate sobre as noções de justiça, vem ganhando destaque. De sucessos como Making A Murderer e American Crime Story, a outras menos barulhentas como The Night Of, apontar os defeitos do Sistema é um novo tipo de aposta quase sempre certeira. “Olha isso aqui, estamos literalmente f#didos” é a mensagem da vez. Mas é a ficção dando espaço para algo que corrompe uma parcela da sociedade há algum tempo.

A 13ª Emenda é o tipo de obra necessária e obrigatória. Com coragem de sobra, a diretora do excelente SelmaAva DuVernay, volta a tocar em questões como racismo, segregação e violência policial. Produzido pela Netflix, o documentário explora sob a perspectiva de políticos, militantes, acadêmicos e ex-prisioneiros, como o sistema penal americano trabalhou para punir a população negra desde que a 13ª Emenda (aquela que baniu a escravidão) foi aprovada.

O documentário começa explorando a criação de alguns mitos, principalmente no que diz respeito a associação da palavra “criminoso” com “negros“. Ao mostrar o quão nocivo o filme O Nascimento de Uma Nação (considerado um marco do cinema) foi para a construção dessa imagem e principalmente, da ideia da supremacia branca, A 13ª Emenda explora a ideia coletiva do Estado em encontrar alguma forma de manter a escravidão viva.

 A 13ª Emenda (2016)

Além da questão racial, A 13ª Emenda ainda toca na questão de grande negócio que o sistema prisional se transformou. O aumento do número de presos, leis criadas para que isso aconteça, e claro, toda a privatização (de prisões inteiras a telefones) que transformou a cadeia em um produto extremamente lucrativo.

Dinheiro, lucro, estado, Sistema, raça, cor e orgulho. A 13ª Emenda é o típico documentário que não passa despercebido, cria debates e as mais diversas reações por onde passa. Está disponível na Netflix Brasil desde o dia 7 de outubro e sua urgência em ser assistido é forte.

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