Democracia em Vertigem: ou você chora ou você faz

Indicação do documentário brasileiro ao Oscar gera onda de indignação infantil.

Luide
Luide
14 de janeiro de 2020

O que me fez gostar de Democracia em Vertigem é a forma como o documentário não está nem um pouco preocupado em parecer imparcial. Pelo contrário, aqui temos de fato um produto cultural que se posiciona e se posiciona fortemente: a diretora Petra Costa não apenas narra os acontecimentos políticos do país segundo sua visão dos fatos, como também mistura imagens de arquivo pessoal a narrativa, onde a mesma aparece toda feliz votando pela primeira vez em Lula e cirandando pela Avenida Paulista após a primeira vitória de Dilma.

Existe essa incompreensão do que se trata um documentário, como se pelo fato de não se tratar de uma obra ficcional, o filme deveria ser 100% atrelado aos fatos e buscando ouvir todos os lados. Não é bem assim e basta pegar o controle remoto e zepear por alguns documentários disponíveis na Netflix (que vem acertando cada vez mais nesse gênero).

Dieta dos Gladiadores é um bom exemplo dessa distorção da realidade para apresentar fatos: ali um monte de vegano te garante que consumir carne faz mal a saúde, mesmo quando não existe uma única evidência legítima disso. Mesmo assim, ninguém da play em um filme assim e espera ouvir a opinião do dono de alguma churrascaria. Com Democracia em Vertigem acontece a mesma coisa: a diretora é petista e fez um filme sobre o que ela viu e entende do processo de impeachment.

Nada de inesperado. Acontece que o Brasil e o brasileiro sempre viveu uma relação delicada com sua própria cultura e portanto, para muita gente, o filme de Petra é uma afronta, uma subversão dos fatos, um delírio. Até certo ponto sim, já que temos aqui um produto com alcance mundial dado a plataforma em que ele se encontra, mas o fato é que ao contrário daqueles que passam o dia esperneando como se fosse um comentarista da Jovem Pan, Petra Costa foi lá e… contou sua versão da história.

Quando vi Democracia em Vertigem pela primeira vez (não que eu tenha assisto outras) me senti levemente inclinado a acreditar 100% no que ali foi mostrado. Mas passando a histeria inicial (“O BRASIL ACABOU”) você entende que se trata apenas de um filme pessoal e nada demais. Por exemplo, o clássico áudio entre Juca e Machado mostrado no documentário é escandaloso e ganha até repeteco. Porém, o trecho onde Machado diz que “protege o Lula, protege todo mundo” na história do “acordão” é omitido.

No fim o que importa é o seguinte: Democracia Em Vertigem está no Oscar. Não tem mais o que fazer. Quer você queira ou não, nosso cinema vive um bom momento. Bacurau sendo aplaudido no mundo todo, entrando nas mais respeitadas listas de Melhores do Ano em 2019, vencendo Cannes e agora outra produção “disquerda” ganha o mundo com essa indicação. O choro, como esse pessoal gosta de dizer, é livre. Espernear pra cá e pra lá serve apenas pra gerar engajamento em seus tweets indignados, porque na prática, vence quem vai lá e faz.

Parabéns Petra Costa. Espero que vença.

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