A conservadora e progressista proposta de Chef’s Table

Série encontra seu auge no terceiro ano

Luide
Luide
20 de fevereiro de 2017

O primeiro e icônico episódio de Chef’s Table assusta ao espectador mais desavisado. De cara somos apresentados a Massimo Bottura e sua cozinha transgressora. Muitos não entendem como alguém tem a cara de pau de servir um prato chamado “a parte mais gostosa da lasanha“, onde apenas um pedaço de massa queimada chega a mesa do cliente. De fato é uma provocação, e ali a série deixa clara suas intenções.

Mas até o segundo ano, e principalmente o especial dedicado a França, Chef’s Table parecia ter uma nota de corte bastante nítida: apenas grandes chefs de renomados e premiados restaurantes teriam a oportunidade de narrar sua jornada dentro e fora da cozinha. Eis que vem a terceira temporada, a série se renova e abre um leque incrível de possibilidades.

Apesar de sim, termos alguns nomes de relevância no cenário mundial de restaurantes (geralmente donos de estrelas Estrelas Michelin ou ótimas posições na lista dos 50 Melhores Restaurantes do Mundo), Chef’s Table encarna de vez a proposta de ser uma contadora de histórias, e se já era óbvio que sua narrativa principal não depende dos pratos servidos, mas sim de quem os prepara, agora está mais claro do que nunca.

David Gelb e Jeong Kwan, protagonista do primeiro episódio da nova temporada

Os personagens dessa temporada são de longe os de maiores contrastes. A batalha entre o conservadorismo e o progressismo não apenas na cozinha, mas na maneira de enxergar o mundo, aqui ganha extremos importantes. Da chef que se especializou em repetir a exaustão as mesmas receitas, ao ex membro de gangue que desafia todas as leis da culinária tradicional para colocar Berlim novamente no mapa gastronômico.

Assim, ao longo dos seis episódios, você aprende quando é hora de valorizar o passado e a tradição, e quando é hora de avançar e ditar novas tendências. E claro, existem aqueles que oscilam entre essas duas escolas. O russo Vladimir Mukhin e o peruano Virgilio Martinez estão nesse meio termo.

Se a comida é um forte indicador de cultura de um país, nada melhor que resgatar valores perdidos através de uma boa refeição. Tanto Vladimir quanto Virgilio são obcecados por sua terra, seus valores e por uma memória que não pode morrer. Ao mesmo tempo, querem mudar a forma como o mundo exterior enxerga tanto o Peru quanto a Rússia.

Essa é a cruzada de Chef’s Table. Como uma série sobre “comida” pode falar de tantos assuntos importantes ao mesmo tempo? Como mostrar o orgulho de povo? A história de um país? Da pra fazer isso falando de cordeiro e caviar? Da sim. E a série consegue muito bem.

Uma obra de arte.

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