Chegará o dia que você terá que assistir The Sopranos

É inevitável: se você gosta de série, precisa assistir a maior de todas

Luide
Luide
20 de setembro de 2016

Discutir a melhor série já feita é perda de tempo. Há obras icônicas como Star Trek, outras que caminham lado a lado com uma geração como Friends, e aquelas que despertam nos fãs os mais variados tipos de reações como LOST e Breaking Bad. Mas quando o assunto é influência, aquela série que coloca um ponto final em tudo que já foi feito e inicia um novo parágrafo, quando se trata do maior drama para a televisão já feito, um nome é indiscutível: The Sopranos.

Tony Soprano, o homem comum. Não importa quem você é fora de casa, lá dentro, precisa lidar com os mesmos problemas que todos nós

Criada por David Chase, The Sopranos foi ao ar em 1999 e encerrou sua jornada em 2007 com um total de seis temporadas (a última dividida em dois atos). Ao longo desses oito anos, a televisão passou pela maior explosão de criatividade e inovação, com uma HBO soberana, estimulando um novo mercado de produções originais dramáticas, que se tornariam a regra da tv de qualidade. Se hoje a Netflix estreia duas, três novas produções todo santo mês, se Mr. Robot encanta o público e Game Of Thrones coloca dois bastardos para duelar, a culpa disso tudo é de Sopranos.

Em 1999 se iniciava uma nova maneira de fazer e conduzir uma série. Com episódios de 60 minutos de duração que se interligavam até o fim da temporada, que por sua vez se conecta com todas as outras (uma espécie de Boneca Russa), a HBO definiu de vez o padrão para os dramas, mas principalmente, aquele que ditaria todas as regras dali pra frente: o anti-herói, o homem comum com seus problemas e infernizado por demônios do passado. Nascia Tony Soprano, nascia o modelo de protagonista mais replicado na tv.

Falar de Sopranos é falar de David Chase, o inseguro e pessimista showrunner que deu origem as séries de autor. O que vemos ali não é simplesmente alguém criando um produto para a audiência, mas sim sua verdadeira vontade e imaginação sendo consolidada. É o caminho que seria seguido por outros gênios.

David Chase transportou para Tony Soprano seus medos e problemas de relacionamento materno. Resumindo bastante, Sopranos não deixa de ser a história de um homem buscando a aprovação da mãe controladora e passivo agressiva, o que conversa com a realidade de muitos espectadores, mas o diferencial -e que mudaria tudo- seria o que seu protagonista faria da porta de casa pra fora. Tony Soprano era um mafioso, de caráter duvido, que não respeitava as regras e distorcia as leis morais a seu favor.

Sem Tony Soprano não existiria Walter White” – Vince Gilligan em entrevista em 2013

Consegue encontrar isso mais alguém? Don Draper, Walter White, Frank Underwood, Jax Teller… o modelo “homem difícil” estava pronto. Agora a televisão não mostraria mais personagens simples, de personalidades rasas. Chegou a vez do homem moderno ter voz, esse ser repleto de insegurança e frustração, que precisa lidar com os problemas do trabalho enquanto toca uma família.

Mas o que realmente se mostraria incrível é que essa fórmula vale para ambos os sexos, e Carrie Mathison (Homeland), Gemma Teller (Sons Of Anarchy) e Sarah Linden (The Killing) são exemplos dessa nova maneira de enxergar o ser humano.

Sopranos viajou pela mente de seu protagonista e nele centralizou a história. Mas ao mesmo tempo, mostrou que era possível desenvolver e dar espaço para uma gama de coadjuvantes, e nesse aspecto, poucas obras se saem tão bem como a de David Chase. O número de excelentes personagens é absurdo e importante para criar esse ambiente comum a todos, com divisões claras de relações entre a família, o trabalho e a diversão. Todos tinham lugar, embora Tony Soprano fosse o maior entre eles.

James Gandolfini e David Chase, criatura e criador

Celebrar clássicos é importante para não nos esquecermos de quem somos. É muito “fácil” para Sam Esmail dedicar metade de um episódio para parodiar um sitcom, mas imagine como foi há 17 anos quando David Chase colocou mafiosos na sala de estar do americano. É até moleza pra Netflix contar a história de Pablo Escobar, mas imagine quando o protagonista da principal série da HBO matou pela primeira vez?

Assistir a Sopranos é lição de casa para o fã de série. Na realidade, é mais do que isso. É enxergar vários padrões que hoje são repetidos. O que chega a ser fácil entender, já que Sopranos foi o celeiro de várias das melhores mentes da televisão. Matthew Weiner de Mad MenTerence Winter de Boardwalk Empire são crias diretas de David Chase.

Chegará um dia que você irá olhar para a tv e se perguntar como tudo começou. Chegará um dia que nada mais irá te satisfazer. Então você se sentira na obrigação de dar o play. Pra você, duas notícias:

A boa: há luz no fim do túnel. A má: estamos em New Jersey. Bem vindo ao divã.

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