Chef’s Table: a joia rara pouco conhecida da Netflix

A mais original série do serviço de streaming

Luide
Luide
18 de setembro de 2016

Cozinhar é um ato de amor, carinho e afeto. Um prato quente conforta depois de um dia cheio, um almoço de domingo reúne famílias, e uma ceia de Natal é o momento perfeito para, de barriga cheia, nos reconciliarmos com aqueles que magoamos. A relação com o alimento é parte da nossa identidade enquanto seres humanos, mas para alguns, é algo que transcende a necessidade e o sabor. Chef’s Table da Netflix é sobre essas pessoas.

A mais original série do serviço de streaming, é também a mais bela e poética. Uma verdadeira joia no catálogo que acaba se perdendo em meio a tantas adições mensais. O spin-off que se passa exclusivamente na França, por exemplo, estreou no mesmo dia da segunda temporada de Narcos. E mesmo que a história de Escobar seja bastante aclamada, sejamos sinceros, a obra de David Gelb está um patamar acima. Sendo ainda mais sincero, é o melhor produto da Netflix ao lado de House Of Cards.

Porém Chef’s Table é um produto de autor. O criador (e diretor de alguns episódios) David Gelb deixa sua marca em todos os episódios. A maneira como ele conduz uma mistura de música clássica com ingredientes, tranforma as cozinhas dos melhores restaurantes do mundo em uma verdadeira ópera. Um universo paralelo onde somos apenas observadores, e tentar entender como funciona a mente desses chefs é uma tarefa que exige de nós uma libertação de certas convenções.

Junto com Cooked são duas séries que tratam do mesmo assunto, porém por ângulos muito distintos. Enquanto Cooked te diz “você pode cozinharChef’s Table transforma o cozinhar em uma espécie de alquimia. A série tem um tom épico e ao mesmo tempo delicado. Um verdadeiro balé de sons e imagens enquanto nos conta sobre ousadia, legado e inovação. Aliás, a série se torna um espetáculo quando coloca em confronto a tradição e o novo, o já estabelecido e a mudança.

 Chef’s Table: France (Season 1)

Chef’s Table: França é o spin-off de quatro episódios dedicado ao país cuja culinária é mais do que cultura, é identidade nacional. Os chefs franceses são estrelas, seus restaurantes são palácios do comer, e seus produtos conhecidos e homenageados no mundo todo. David Gelb porém não parte pro clichê, vai em busca de inovações, dessa mistura do clássico e moderno. Celebra o passado enquanto da espaço para os mais jovens. São dois chefs Três Estrelas Michelin e outros dois que estão ousando e levando a cozinha francesa pro século XXI.

Um espetáculo. O episódio final com Michel Troisgros é simplesmente a melhor coisa feita para a Netflix em 2016. Emocionante e poderoso. Uma pena que algo tão bom seja pouco apreciado pelos assinantes do serviço. É uma pena que sites e canais de cultura pop fechem seus olhos. É uma pena. Mas você não precisa de convite pra esse banquete: assista Chef’s Table.

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