Charlie Brown Jr. e um espírito de juventude que ficou nos anos 2000

Há 5 anos Alexandre Magno Abrão nos deixava.

Luide
Luide
6 de março de 2018

No dia 6 de Março de 2013 eu estava trabalhando em plena madrugada, quase amanhecendo, quando uma notícia pegou a todos de surpresa: Alexandre Magno Abrão, o Chorão, foi encontrado morto em seu apartamento em São Paulo. Na época com com 26 anos tive a sensação de estar perdendo um ídolo da minha pré-adolescência e adolescência, mas que nos últimos anos pouco impacto tinha em minha vida. Charlie Brown Jr. foi a primeira banda de rock que ouvi e a primeira que comprei um disco.

Abalando a Sua Fábrica de 2001 foi meu primeiro contato com a banda, e nos meses que se seguiram, ouvia praticamente todo santo dia antes de ir pra escola. Minha paixão pela banda só crescia, e com a ela cada vez mais ganhando fãs -e o rock nacional vivendo uma ótima fase no início do século- logo todos meus amigos estavam curtindo o mesmo som que eu.

Charlie Brown Jr. sempre teve esse apelo com o público jovem, Chorão foi um eterno garoto e isso ficava evidente das letras de suas músicas até a vestimenta. Era o tipo de mensagem que a molecada gostava de ouvir: da pra crescer sem se tornar aquele velho careta que você odeia hoje.

Abalando Sua Fábrica de 2001

Mas nada iria marcar minha adolescência com o que viria em 2003, o Acústico MTV da banda. Morando no interior minha única opção era a pirataria, já que não existiam lojas de discos por lá. Até que um dia, sabe Deus como, alguém surge com o DVD pirata do Acústico. Nossa… que dia. Nos reuníamos para assistir aquele show de ponta a ponta, e ali rolava aquele lance patético de auto afirmação, mas que faz parte da juventude: aos 14 anos alguns amigos já fumavam e bebiam, então nada melhor pra dar uma “briza” que fazer esses atos rebeldes ao som de Charlie Brown Jr.

Papo Reto, Zóio de Lula, Vícios e Virtudes, Hoje, O Preço, Tudo pro Alto… que sequência. Dava pra decorar cada item do cenário, algo que a MTV fazia com muito talento. Era a combinação mais jovem que um caipira poderia ter. Rock, skate, MTV e palavrões. Mas nenhuma outra música elevava nosso espírito quanto Samba Makossa, onde Chorão recebia ninguém menos que Marcelo D2, outro ídolo daquela época. Em minhas recordações, uma lembrança pulsa forte: em uma tarde de verão, era dezembro, eu e meus amigos vamos até uma cachoeira. No carro, um Uno desses quadrado, estamos em 6 pessoas. No som, Samba Makossa.

Aquela foi uma tarde tão incrível e simples que é impossível escrever sobre ela sem um nó na garganta. Um momento que representou o máximo da minha juventude, algo que hoje em dia é praticamente impossível acontecer novamente. Amigos, um rolê, um som e toda a liberdade do mundo. Vamos todos celebrar! 

Hoje, perto dos 31, recordar dessa época é um exercício que mistura saudade e fascínio. Se soubesse que ela iria passar tão rápido, teria aproveitado mais. O jeito agora é tentar levar a vida com alguns momentos assim, de moleque, como Chorão, mas sem o lado obscuro que acabou tirando sua vida.

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