Briguem desgraçados, briguem!

Herói ou vilão? Não importa. Marighella fará você discutir com alguém.

Luide
Luide
18 de fevereiro de 2019

Nosso filme é maior do que Bolsonaro“. Esse frase ganhou destaque na imprensa nacional e também nas redes sociais nos últimos dias. Como se já não bastasse a temática de seu filme, Wagner Moura adicionou ainda mais lenha em uma fogueira que queima com força há algum tempo. “Não é uma resposta a ele, mas obviamente esse é um filme, provavelmente um dos primeiros culturais da arte brasileira, que está em contraste com o grupo que está no poder no Brasil” completa o diretor de Marighella, filme que fez sua estreia no Festival de Berlim e foi ovacionado ao final da sessão.

Wagner Moura obviamente não é bobo nem nada e sabe muito bem que a cine-biografia de uma das figuras mais controversas do Brasil ganharia todos os holofotes possíveis, com qualquer declaração se tornando um chamativo a mais para parte de um público, e a pá de cal para outro. Marighella é um filme. Só um mais um filme. Mas ao mesmo tempo não é nada disso. É uma peça a mais em um Brasil dividido, repleto de revisionismo histórico e com pessoas desesperadas por heróis. E vilões.

Não sou eu quem irá te ensinar quem foi Marighella. Basta uma rápida pesquisa que você encontra artigos a favor, outros extremamente contra e alguns um tanto isentos, tentando entender de fato quem foi essa figura que se transformou no maior inimigo da Ditadura Militar nos anos 60. Marighella enquanto filme, o primeiro dirigido por Wagner Moura, se baseia no livro “Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo“. Quem já viu relata que a violência praticada pelo protagonista está lá, mas ao mesmo tempo, é a visão do diretor que não esconde a admiração pelo “terrorista”.

Eu sempre fui fascinado pela história da resistência […] Cresci tendo Marighella como um dos maiores símbolos de resistência” disse Moura em entrevista ao AdoroCinema. O filme ainda não tem previsão de estreia no Brasil, com a Paris Filmes, distribuidora oficial, alegando que a falta de data nada tem a ver com a tensão política. Mas assim como Wagner Moura, ninguém aqui é bobo de acreditar nisso.

É um tanto óbvio que o atual cenário político é e será fator determinante no sucesso ou fracasso do longa. E por mais que a minha ou a sua visão não esteja em sintonia com a do filme, é sempre um prazer ver pessoas discutindo com fervor uma obra áudio-visual nacional. Discutindo cinema, mesmo que o cinema em si não seja o ponto principal das críticas. Em qualquer canto da internet você irá causar uma pequena treta ao citar esse nome: “Marighella“.

Nós já nos acostumamos com esses movimentos de boicotes. Foi assim com Aquarius, foi assim com O Jardim das Aflições. O ódio muitas vezes é uma força motora maior que o amor e torna as pessoas obcecadas pelo tema. Que seja assim. Briguem.

Pelo menos vocês esquecem um pouco das séries da Netflix.

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