Brasil, um país de guerras

Guerras do Brasil.doc chegou a Netflix.

Luide
Luide
12 de junho de 2019

Nós somos adultos, temos que parar de acreditar em mitos” é uma das frases mais marcantes do primeiro episódio de Guerras do Brasil.doc, série documental que estreou na Netflix. Ela é dita por Ailton Krenak, historiador e filósofo indígena, e é bastante acertada: o brasileiro adora um mito, uma história bem contada, cheia de atos heroicos sobre seu país e sua história. Da chegada dos portugueses ao Golpe de 1964, tudo precisa ter um contexto cheio de boas intenções. Mas a grande verdade é que o Brasil é uma terra inventada, uma invenção que custou milhões de vidas, vidas essa que até hoje vivem à margem de sua história.

Pouco sabemos sobre nós mesmo. E não é de se duvidar que isso seja planejado. Quem em pleno trânsito caótico de São Paulo gostaria de saber que os bandeirantes retratados no Monumento às Bandeiras eram verdadeiros escravagistas psicopatas? “Os desbravadores do sertão” fica bem melhor na placa e também nos livros. Ouvir outras vozes quando o assunto é história do Brasil é importante para que nós saibamos olhar para o presente de uma forma mais lúcida, sem focar em nossos privilégios e não sair por ai falando besteira, como por exemplo, ser contra o sistema de cotas sociais “porque seu avô era pobre e conseguiu vencer“.

Mas Guerras do Brasil.doc conta apenas uma parte de nossa história complexa e rica. Foca em momentos chaves ondeconflitos foram inevitáveis. Começa com o excelente episódio sobre a chamada “Guerra da Conquista“, ou tal do “descobrimento do Brasil” e encerra sua primeira temporada com a guerra que acontece nas ruas de todo país, com os surreais 60 mil assassinatos por ano.

Porém algo me chama a atenção em Guerras do Brasil.doc: o primeiro nome a aparecer na tela. Trata-se da Ancine, Agência Nacional do Cinema, que é quem basicamente bancou a produção dessa excelente obra. E porque isso chama atenção? Pelo simples fato de que nossa cultura e o apoio a ela nunca foi tão contestada e abandonada. O comum é dizer que cultura é coisa de vagabundo e na melhor das hipóteses que cultura é só aquilo que gosto. O cinema nacional começou 2019 com um prêmio inédito de Cannes, mas sabe-se Deus como irá acabar.

No que depender dos talentos, bem, obrigado.

História, guerras, presente, cultura… Brasil. Assista que vire passado.

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