Boa, mas igual a todas as outras: por que séries como Manhunt: Unabomber nos cativam tanto?

Produção da Discovery é mais uma série de ficção baseada em fatos reais bem executada.

Luide
Luide
7 de Abril de 2018

Fatos reais. Um investigador. Um investigado. Não uma, nem duas, mas várias séries dominaram a TV nos últimos anos explorando essa temática. No caso de Manhunt: Unabomber, série da Discovery disponível na Netflix, temos aqui mais uma obra que vai em busca de dramatizar um caso de grande repercussão na justiça dos EUA. O alvo da vez é Theodore Kaczynski, terrorista que ao longo de quase duas décadas enviou pelos correios 16 bombas que feriram 23 pessoas e mataram 3. Seu caso é marcado pelo desenvolvimento e início do uso da Linguística Forense em resolução de crimes.

Vindo da Discovery, especialista em produções documentais, Manhunt é uma grata surpresa já que falamos de um canal sem grandes retrospectos quando o assunto é ficção, afinal, por mais que os dizeres “baseados em fatos reais” estampem o início dos episódios, é impossível impor uma narrativa 100% real em uma série dramática. Mas o resultado é uma obra bem conduzida, cheia de elementos que empolgam e claro, deixa aquela sensação de “por que esse tipo de história sempre nos atrai?“.

Temos uma facilidade enorme em nos conectar com esse tipo de série ou filme. A cultura pop está recheada de obras que exploram a psicose humana, e saber que muitos desses assassinos de fato existiram, deixa tudo ainda mais interessante. Talvez seja uma curiosidade mórbida em descobrir como funciona a mente de alguém capaz de explodir pessoas ou então um desejo natural de assistir o bem vencendo o mal.

Outro ponto forte em Manhunt é o fato da série nos apresentar a uma nova ciência no auxílio a resolução de crime, no caso, a Linguística Forense. O mesmo aconteceu em Mindhunter. O fascínio da descoberta do protagonista se reflete no espectador, que acaba envolvido em um jogo de gato e rato potencializado pela urgência da prisão do serial killer. E Manhunt reforça essa urgência ao nos mostrar cenas um tanto desagradáveis de suas vítimas. A série não nos poupa de ossos a mostra e membros dilacerados.

É inegável que Manhunt é uma boa série, mas isso não a torna blindada de clichês típicos do gênero. Mas que apesar dos pesares acabam por ser necessários, como por exemplo, o protagonista se tornando obcecado pelo trabalho e que sacrifica sua vida pessoal afim de caçar o assassino. Nesse papel temos Sam Worthington (Avatar) como Fitz, que aos poucos, vai se revelando um frustrado, apesar de sua extrema capacidade. O agente do FBI busca reconhecimento em meio a figurões da agência.

Por fim, tudo iria por água abaixo se Manhunt não colocasse no papel de Theodore Kaczynski um ator competente e acerta em cheio ao escalar Paul Bettany (o Visão de Vingadores). Bettany nos entrega tudo aquilo que se espera de alguém como Kaczynski: uma postura sempre tranquila e dominadora e palavras que fluem como se ditas pelo próprio demônio.

Manhunt é igual a todas as outras séries, mas apresenta uma nova história. No fim das contas é isso que importa: qualidade. E que venham outras séries do gênero que nós estaremos aqui de prontidão.

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