Black Mirror é a série mais perturbadora que já assisti

Série britânica usa os excessos da tecnologia parar criar histórias extraordinárias

Luide
Luide
2 de outubro de 2015

Sempre torci o nariz para produções britânicas. Nunca soube explicar exatamente porque, mas obras como Dr. Who e Sherlock nunca chamaram minha atenção. Sem perceber criei uma antipatia que nem mesmo eu sabia mais o motivo. Então descobri Black Mirror. E meu amigo…

White Bear (S02E02) é a coisa mais medonha que vi esse ano

Black Mirror é algo único na tv, não tem nada parecido. E isso não é exagero.  A série usa um formato que ficou bastante conhecido nos anos 50 com The Twilight Zone, onde cada episódio era um conto fechado. Aqui o criador Charlie Brooker usa o estilo para colocar o dedo na maior ferida de nossa geração: o uso excessivo da tecnologia, como ela afeta nossas vidas e até onde somos dependentes dela.

Usando de um humor cínico, suspenses e situações extremamente desagradáveis, Black Mirror é um soco forte no estômago por, infelizmente, ser tão real. Mas é claro, a tecnologia é só uma piada, uma distração pra verdadeira mensagem.

São apenas 7 episódios com cerca de uma hora de duração, mas o suficiente pra deixar qualquer mente em estado vegetativo. Criando cenários distópicos, seja no presente ou em algum futuro próximo, Black Mirror passa a explorar os vícios da sociedade usando de exageros tecnológicos. É uma espécie de Cavalo de Troia: você acha que o problema são os celulares, as conexões, mas não, o culpado está ali o tempo todo. A imperfeição humana.

Da nossa exposição total em redes sociais, da cobertura excessiva da mídia sobre a vida alheia, o voyeurismo criado por reality shows, Black Mirror é certeira em seus roteiros nada otimistas. Uma certa sensação que estamos a beira de um precipício moral começa a se desenvolver a cada episódio. Porém em momento algum soa como um profeta do apocalipse ou muito menos como um textão de facebook contra a tecnologia. Longe disso.

Há algum tempo o termo “offline” praticamente não faz mais sentido, estamos 24hrs por dia conectados e essa barreira entre o real e virtual já nem existe mais. Black Mirror explora muito bem essas novas regras que surgiram há pouco tempo, mas já causam uma das maiores mudanças que a sociedade sofreu em sua história. Nosso desejo descontrolado em entretenimento, a necessidade de contar a tudo e todos o que estamos sentindo, a ansiedade sobre a vida alheia. A tecnologia não criou novos comportamentos, mas nos ajudou a extrapolar.

Tudo tem que ser grande, rápido, cômodo e exposto. Não ficamos mais sozinhos com nós mesmos, não ouvimos mais além dos fones, sair de casa é sinônimo de gastar, e quanto mais se gasta mais a sensação de que deveríamos gostar daquilo fica forte. Passamos o dia olhando pra uma tela imaginando o fim de semana, quando ele chega, não parece ser tão legal assim. Nos orgulhamos de RTs e likes, esquecemos de ligar para nossos amigos e parentes. Se uma queda de luz acontece a sensação de desespero é terrível. Bateria de celular não pode acabar, meu celular tem que ser do ano, preciso postar esse prato de comida ou dizer que meus gatos são engraçados. Fotos estão nas nuvens, não na sua estante.

Black Mirror é terrívelmente perturbadora.
Black Mirror é apavorante.
Black Mirror é absurda de inteligente.

Seu formato, sua coragem, seus roteiros inteligentes que sufocam.
The National Anthem (S01E01) me fez sentir nojo de tudo, Be Right Back (S02E01) me fez chorar e White Bear (S02E02) é pra colocar em cheque tudo que você sabe sobre justiça e empatia.

Assista a Black Mirror. Agora.
Fique perturbado.

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